Vamos ser pais

40 semanas de gravidez

3.ºTrimestre
9Meses
100%Progresso
Mariana Torres

Revisto por Mariana Torres , Ginecologista-Obstetra

Última actualização: 24 de maio de 2026

Chegaste às 40 semanas. Para muitas grávidas, isto vem com uma pergunta gigante: "então, e agora?". A data provável do parto é uma referência importante, mas não é uma garantia de que o bebé vai nascer nesse dia.

É muito comum chegares aqui sem sinais claros de parto. Isso não quer dizer que o corpo não esteja a preparar-se, nem que o bebé esteja "atrasado". Quer dizer apenas que cada bebé tem o seu tempo e que, mantendo a vigilância com a equipa que te acompanha, poderás aguardar até que tudo comece espontaneamente.

Também pode começar a fase das perguntas constantes: "já nasceu?", "ainda nada?", "então e esse bebé?". Mesmo quando vêm de um lugar de carinho, podem cansar. Podes preparar uma resposta curta, pedir a alguém para gerir mensagens ou simplesmente não responder a tudo. Nesta fase, proteger a tua paz também é preparação para o parto.

É muito comum chegares às 40 semanas sem sinais claros de parto — isso não significa que o bebé esteja atrasado.

O descolamento de membranas pode ser proposto nesta fase para estimular o início espontâneo do parto.

Se a bolsa romper antes de começarem as contrações, anota a hora e avalia a cor e o cheiro do líquido.

Evolução do feto

Desenvolvimento do bebé com 40 semanas

O bebé é de termo e está preparado para nascer, mas continua a beneficiar de um ambiente intrauterino saudável enquanto tudo está bem. Nesta fase, vigiamos sobretudo sinais consistentes de bem-estar que nos permitam aguardar.

Os movimentos devem continuar presentes. Podem parecer mais em pressão, alongamentos ou movimentos localizados, porque há menos espaço para grandes acrobacias. Mas o padrão habitual do teu bebé continua a ser a referência. Se sentires uma redução clara dos movimentos, procura avaliação.

Se ainda não entraste em trabalho de parto, combina com a equipa como será a vigilância nos próximos dias: consultas, CTG, ecografias, avaliação do líquido amniótico ou outras orientações conforme o teu contexto clínico.

Desenvolvimento do bebé às 40 semanas de gravidez © Crown copyright, NHS

O teu corpo

Mudanças no meu corpo

As contrações podem continuar irregulares. Podem aparecer durante horas, dar esperança, desaparecer depois de um banho ou de uma noite de sono, e voltar no dia seguinte. Enquanto não ganham ritmo, intensidade e continuidade, ainda podem ser apenas preparação.

Nesta fase, pode ser proposto um descolamento de membranas. É um procedimento feito durante uma observação vaginal, quando o colo do útero permite, em que o profissional tenta separar suavemente as membranas da parte inferior do útero. A ideia é estimular a libertação natural de prostaglandinas e aumentar a probabilidade de o trabalho de parto começar espontaneamente.

Não é uma indução medicamentosa, não tem como objetivo romper a bolsa e não é obrigatório. Pode causar algum desconforto, cólicas, pequenas perdas de sangue ou contrações irregulares nas horas seguintes. Como todos os outros procedimentos, deve ser explicado e feito apenas com o teu consentimento. Em alguns casos, pode ser uma opção antes de avançar para métodos de indução com medicação, se fizer sentido no teu contexto.

Se a bolsa romper antes de começares com contrações, anota a hora e avalia a cor e o cheiro do líquido. O líquido amniótico costuma ser claro ou ligeiramente rosado. Se for esverdeado, acastanhado, tiver mau cheiro, vier com sangue vivo, febre, mal-estar ou redução dos movimentos do bebé, deves procurar avaliação médica. Se não tiveres já um plano delineado com a tua equipa, contacta a maternidade ou a linha SNS 24 - Grávida para saberes o que fazer de acordo com o protocolo do local onde vais ser acompanhada.

A barriga com 40 semanas

Com 40 semanas, a barriga pode estar mais baixa, mais pesada ou simplesmente no limite do que parece possível. O formato continua a não prever quando o parto vai começar.

O que importa mais do que o aspeto é o comportamento: movimentos do bebé, contrações com ritmo, perda de líquido, perda de sangue e aquilo que sentes no conjunto.

Se a barriga endurece de forma regular, as contrações ficam progressivamente mais fortes e já não aliviam com repouso, banho ou mudança de posição, pode ser altura de começar a seguir as orientações que recebeste para contacto ou ida à maternidade.

Sintomas

Sintomas da gravidez às 40 semanas

Às 40 semanas, espera, impaciência e cansaço podem ocupar muito espaço mental. Cada contração pode parecer "a tal", cada silêncio do telemóvel pode parecer estranho, e cada mensagem pode irritar mais do que seria suposto. Estás no fim da gravidez; não precisas de estar sempre disponível, simpática e tranquila. Continua atenta aos sinais que merecem avaliação: redução clara dos movimentos do bebé, perda de líquido, sangue vivo, febre, dor de cabeça forte ou persistente, alterações da visão, dor no alto da barriga, inchaço súbito da face, mãos ou pés, mal-estar intenso ou contrações regulares e dolorosas. Na dúvida, pede orientação. Não tens de saber diagnosticar o que está a acontecer; tens de conseguir dizer o que mudou, quando começou e o que estás a sentir. A partir daí, a equipa ajuda-te a decidir o passo seguinte.

Cansaço mais marcado

No fim da gravidez, o cansaço deixa de ser só hormonal e passa a ser também físico. A barriga pesa, o sono fragmenta-se, levantar da cama exige uma grande logística e as tarefas pequenas podem gastar uma energia desproporcional.

Se este cansaço te está a impedir de funcionar no dia-a-dia, se estás a sentir-te muito ofegante, mais pálida, com palpitações ou sem força para o dia, fala com a equipa que te acompanha. Às vezes vale a pena rever as análises e perceber se há anemia, ferro baixo, problemas na tiróide ou outra condição a contribuir.

Mamas sensíveis, inchadas ou tensas

Mais perto do fim da gravidez, as mamas podem voltar a ficar sensíveis e, algumas mulheres apercebem-se de manchinhas de colostro no soutien. O teu corpo está a preparar-se para a chegada do teu bebé. Mas atenção, nem todas as mamas pingam! Se não te aperceberes de perda de colostro, não é motivo para preocupação, desde que tenhas sentido que ficaram diferentes ao longo da gravidez em termos de tamanho e vascularização. Na dúvida, conversa com a tua consultora de lactação.

Um soutien com um bom suporte costuma ajudar a dar conforto. Mas se a mama ficar vermelha, quente, muito dolorosa ou se tiveres febre, procura avaliação em vez de assumir que é “só mais um sintoma”.

Vontade de urinar mais vezes

No final da gravidez, a vontade de urinar pode voltar em força porque o útero e o bebé ocupam o espaço onde antes havia mais folga para a bexiga. À noite, isto pode ser pouco divertido.

Não tentes resolver bebendo menos água. É essencial que mantenhas uma boa hidratação.

Os sinais de alarme são ardor ao urinar, dor, febre, urina com sangue ou mau cheiro, porque aí já pode haver infeção urinária e convém avaliar.

Inchaço abdominal, gases ou obstipação

A progesterona estar mais alta significa, entre outras coisas, ter o intestino mais lento. O resultado pode ser barriga inchada, gases, sensação de digestão parada e obstipação, mesmo quando estás a comer de forma parecida ao teu normal.

Reforçar a ingestão de água, de fibras e não abdicar de praticar atividade física costumam ajudar, mas às vezes também é preciso rever os suplementos de ferro ou outra medicação com o teu médico. Se estás há vários dias sem conseguir evacuar, com dor importante, vómitos ou barriga muito distendida, procura ajuda.

Corrimento vaginal branco

É comum haver mais corrimento na gravidez. Se é branco ou leitoso, sem mau cheiro, sem ardor e sem prurido, costuma ser apenas uma consequência hormonal e não um sinal automático de infeção.

O que pede atenção é um corrimento amarelo, verde, acinzentado, com cheiro forte, com comichão, ardor, sangue ou perda de líquido mais aquosa e contínua.

Dor lombar ou desconforto na bacia

À medida que a barriga cresce, a postura e o centro de gravidade mudam, os ligamentos ficam mais flexíveis e a lombar começa a pagar parte da conta. A bacia também pode queixar-se, sobretudo em dias mais longos ou com muito tempo de pé.

Alternar posições, evitar torções bruscas, sentar com apoio e mexer o corpo com regularidade costuma ajudar mais do que ficar completamente parada. Se a dor vem com febre, ardor urinário, sangue, contrações ou perda de força numa perna, precisa de outro tipo de atenção.

Movimentos do bebé

Nesta fase, os movimentos do bebé já devem fazer parte da tua perceção diária. Não tens de contar pontapés de forma obsessiva, mas faz sentido reconheceres o padrão habitual do teu bebé.

Se notares uma redução clara face ao padrão que já conheces, não penses “amanhã logo vejo”. Menos espaço não é uma explicação aceitável para menos movimentos. Este é um motivo válido para procurares observação médica urgente.

Azia ou refluxo

A azia e refluxo são convidados frequentes na gravidez. As hormonas relaxam a separação entre o estômago e o esófago e, mais tarde, o útero também ocupa espaço, aumenta a pressão intrabdominal e empurra o conteúdo gástrico para cima sem cerimónia.

O caminho é comer menos de cada vez, evitar deitar logo a seguir às refeições e perceber que alimentos te pioram a azia. Sabias que algumas pessoas ficam cheias de azia depois de comer sopa?

Se estás a comer cada vez pior, a vomitar ou sem conseguir controlar estes sintomas, fala com a tua equipa em vez de sofreres. Existe medicação segura na gravidez.

Hemorróidas

As hemorróidas podem aparecer porque há mais pressão na zona pélvica e, muitas vezes, também porque a obstipação obriga a fazer mais força para evacuar. O resultado pode ser prurido, dor, incómodo ao evacuar ou um pequeno sangramento vermelho vivo.

Resolver a obstipação ajuda quase sempre mais do que tentar tratar só a consequência. Se tens sangramento e não tens a certeza de que são hemorróidas, ou se a dor é forte e não cede, vale a pena confirmar com o teu médico.

Cãibras nas pernas

As cãibras nas pernas, sobretudo à noite, são uma daquelas chatices muito comuns e pouco agradáveis da gravidez. Podem aparecer de repente e acordar-te com a delicadeza de uma sirene.

Quando acontece, puxar os dedos do pé na tua direção costuma ajudar mais do que esticar a ponta do pé.

Se uma perna ficar muito inchada, vermelha, quente ou dolorosa de forma persistente, isso já não parece uma cãibra banal - procura ajuda porque pode ser uma trombose!

Inchaço dos pés, tornozelos ou mãos

Um inchaço ligeiro ao fim do dia, sobretudo nos pés e tornozelos, é frequente na segunda metade da gravidez. O calor e muitas horas sentada ou de pé podem piorá-lo.

Descansar com as pernas elevadas e evitar dias inteiros sem mexer ajuda algumas grávidas. Elevar ligeiramente o fundo do colchão na cama ajuda a acordares menos inchada.

O que muda o cenário é um inchaço súbito, muito marcado, sobretudo nas mãos ou na cara, ou acompanhado de dor de cabeça e alterações da visão. Nesta situação, vai ao serviço de urgência para seres avaliada.

Sono interrompido ou dificuldade em encontrar posição

No terceiro trimestre, dormir pode virar um pequeno projeto de engenharia. A barriga pesa, a bexiga lembra-se de ti várias vezes a meio da noite, o bebé às vezes escolhe o silêncio da madrugada para ensaiar coreografias e a cabeça nem sempre colabora.

Não existe nenhuma posição proibida para dormir, mas algumas é provável que se tornem desconfortáveis à medida que a barriga cresce. Habitualmente as grávidas optam por dormir deitadas de lado, com almofadas entre as pernas, atrás das costas ou debaixo da barriga a apoiar o corpo.

Pressão pélvica ou sensação de peso

Peso na bacia, sensação de que tudo está mais baixo ou dificuldade em andar depressa é um relato muito comum nesta fase. Pode vir do crescimento do bebé, da postura, do pavimento pélvico a trabalhar mais e, mais perto do fim, da descida do bebé.

Pausas mais frequentes, passos mais curtos e apoio quando necessário podem ajudar. Se a sensação muda de repente ou vem com perda de líquido vaginal, sangue ou contrações ritmadas, vale a pena procurar observação.

Contrações de treino

As contrações de treino, ou Braxton Hicks, costumam ser irregulares: a barriga fica dura, depois passa, e não entram obrigatoriamente num padrão cada vez mais forte e mais próximo. Podem ser incómodas, mas não costumam desencadear o início do trabalho de parto.

Beber água, descansar e mudar de posição pode aliviar. Perto do fim, a diferença entre treino e trabalho de parto costuma estar no ritmo, na duração e no facto de passarem ou pelo contrário ficarem cada vez mais intensas e frequentes.

Pequenas perdas de colostro

Pequenas perdas de colostro podem acontecer ainda durante a gravidez. É um líquido amarelado ou mais transparente que sai pelos mamilos e não quer dizer, por si só, que o parto esteja prestes a começar.

Se as tuas mamas são das que vedam bem e não vês sair nada, não é motivo de preocupação.

O que merece atenção é sangue a sair pelo mamilo, uma mama muito vermelha e dolorosa ou um corrimento mamilar que te pareça francamente estranho.

Sinais de aproximação do parto

Perto do termo, o corpo pode começar a dar sinais mais concretos de se aproximar o grande momento: contrações com ritmo, pressão na bacia, perda do rolhão mucoso, dor lombar com padrão ou rotura de bolsa.

Os sinais de alarme são a perda de sangue em quantidade relevante ou diminuição dos movimentos do bebé.

⚠️ Redução clara dos movimentos do bebé.

⚠️ Líquido amniótico esverdeado, acastanhado, com mau cheiro ou com sangue.

⚠️ Dor de cabeça forte, alterações da visão, inchaço súbito ou dor no alto da barriga.

⚠️ Febre, mal-estar ou contrações regulares e dolorosas.

Perguntas frequentes

Perguntas sobre 40 semanas de gravidez

40 semanas de gravidez são quantos meses?

De forma aproximada, 40 semanas de gravidez correspondem ao 9.º mês. A contagem em semanas continua a ser a referência mais útil.

O meu bebé está atrasado?

Não. A data provável do parto é uma referência estatística, não uma marcação. Muitos bebés nascem depois das 40 semanas. Enquanto a vigilância estiver a correr bem, é seguro aguardar.

O que é o descolamento de membranas?

É um procedimento feito durante uma observação vaginal, quando o colo permite, para separar suavemente as membranas do útero. Estimula a libertação de prostaglandinas e pode aumentar a probabilidade de o parto começar espontaneamente.