Vamos ser pais

39 semanas de gravidez

3.ºTrimestre
9Meses
98%Progresso
Mariana Torres

Revisto por Mariana Torres , Ginecologista-Obstetra

Última actualização: 24 de maio de 2026

Às 39 semanas, a maioria dos bebés já está muito perto de nascer, mas "perto" não significa necessariamente hoje. Muitos bebés nascem só mais perto das 41 semanas.

Por isso, tenta não ficar apenas à espera que aconteça. Segue o teu dia a dia com naturalidade, dentro do que o corpo permitir. Passeios leves, refeições simples, descanso, uma série, uma sesta, uma tarefa pequena. O objetivo não é distrair-te à força, é não transformares cada dia numa eternidade.

Muitos bebés nascem só depois das 39 semanas — não estás atrasada se o parto ainda não começou.

A data provável do parto é uma referência, não uma marcação.

Continua atenta aos sinais de pré-eclâmpsia: dor de cabeça, visão turva, inchaço súbito.

Evolução do feto

Desenvolvimento do bebé com 39 semanas

O bebé está cada vez mais preparado para nascer. Continua a ganhar algum peso, a reforçar reservas e a ajustar-se para respirar, mamar e regular a temperatura depois do nascimento. Não é "só engordar", é ganhar maturidade e capacidade para gerir os desafios da vida cá fora.

Os movimentos devem manter-se presentes. Podem parecer mais em pressão, alongamentos ou movimentos localizados, mas o padrão habitual do teu bebé continua a ser a referência. Se sentires redução clara dos movimentos, procura avaliação.

Se ainda não entraste em trabalho de parto, isso não significa que o bebé esteja "atrasado". A data provável do parto é uma referência, não uma marcação.

Desenvolvimento do bebé às 39 semanas de gravidez © Crown copyright, NHS

O teu corpo

Mudanças no meu corpo

As contrações podem aparecer e desaparecer. Podem ser irregulares, mudar com repouso, banho, hidratação ou posição, e depois desaparecer. Enquanto estão irregulares, não precisas de começar logo a contabilizar tudo com rigor.

Começa a prestar mais atenção quando as contrações ganham ritmo, intensidade e continuidade. Ou seja: quando ficam regulares, cada vez mais fortes, duram mais tempo e já não aliviam com as estratégias habituais.

Também pode haver mais pressão pélvica, mais corrimento, sensação de peso em baixo e noites difíceis. Tudo isto pode fazer parte da reta final, mas não te obriga a ficar parada à espera do primeiro sinal perfeito.

A barriga com 39 semanas

Com 39 semanas, a barriga pode parecer no limite, mas o formato continua a ser variável e a não significar que falta muito ou que falta pouco. Pode estar mais baixa, continuar alta, endurecer em alguns momentos ou mudar ao longo do dia.

O que interessa mais do que o aspeto é o comportamento: movimentos do bebé, contrações com ritmo, perda de líquido, perda de sangue e aquilo que sentes no conjunto.

Sintomas

Sintomas da gravidez às 39 semanas

Às 39 semanas, além dos sinais de parto, é importante continuares atenta aos sinais de alarme de pré-eclâmpsia: dor de cabeça forte ou persistente, alterações da visão, dor no alto da barriga, náuseas ou vómitos súbitos, inchaço súbito da face, mãos ou pés, falta de ar ou mal-estar intenso. Estes sinais merecem avaliação, mesmo que aches que "já deve ser do fim da gravidez". Também deves procurar orientação se houver perda de líquido, sangue vivo, febre, redução dos movimentos do bebé ou contrações regulares e dolorosas. Na dúvida, liga. Não precisas de ter a certeza absoluta para pedir ajuda.

Cansaço mais marcado

No fim da gravidez, o cansaço deixa de ser só hormonal e passa a ser também físico. A barriga pesa, o sono fragmenta-se, levantar da cama exige uma grande logística e as tarefas pequenas podem gastar uma energia desproporcional.

Se este cansaço te está a impedir de funcionar no dia-a-dia, se estás a sentir-te muito ofegante, mais pálida, com palpitações ou sem força para o dia, fala com a equipa que te acompanha. Às vezes vale a pena rever as análises e perceber se há anemia, ferro baixo, problemas na tiróide ou outra condição a contribuir.

Mamas sensíveis, inchadas ou tensas

Mais perto do fim da gravidez, as mamas podem voltar a ficar sensíveis e, algumas mulheres apercebem-se de manchinhas de colostro no soutien. O teu corpo está a preparar-se para a chegada do teu bebé. Mas atenção, nem todas as mamas pingam! Se não te aperceberes de perda de colostro, não é motivo para preocupação, desde que tenhas sentido que ficaram diferentes ao longo da gravidez em termos de tamanho e vascularização. Na dúvida, conversa com a tua consultora de lactação.

Um soutien com um bom suporte costuma ajudar a dar conforto. Mas se a mama ficar vermelha, quente, muito dolorosa ou se tiveres febre, procura avaliação em vez de assumir que é “só mais um sintoma”.

Vontade de urinar mais vezes

No final da gravidez, a vontade de urinar pode voltar em força porque o útero e o bebé ocupam o espaço onde antes havia mais folga para a bexiga. À noite, isto pode ser pouco divertido.

Não tentes resolver bebendo menos água. É essencial que mantenhas uma boa hidratação.

Os sinais de alarme são ardor ao urinar, dor, febre, urina com sangue ou mau cheiro, porque aí já pode haver infeção urinária e convém avaliar.

Inchaço abdominal, gases ou obstipação

A progesterona estar mais alta significa, entre outras coisas, ter o intestino mais lento. O resultado pode ser barriga inchada, gases, sensação de digestão parada e obstipação, mesmo quando estás a comer de forma parecida ao teu normal.

Reforçar a ingestão de água, de fibras e não abdicar de praticar atividade física costumam ajudar, mas às vezes também é preciso rever os suplementos de ferro ou outra medicação com o teu médico. Se estás há vários dias sem conseguir evacuar, com dor importante, vómitos ou barriga muito distendida, procura ajuda.

Corrimento vaginal branco

É comum haver mais corrimento na gravidez. Se é branco ou leitoso, sem mau cheiro, sem ardor e sem prurido, costuma ser apenas uma consequência hormonal e não um sinal automático de infeção.

O que pede atenção é um corrimento amarelo, verde, acinzentado, com cheiro forte, com comichão, ardor, sangue ou perda de líquido mais aquosa e contínua.

Dor lombar ou desconforto na bacia

À medida que a barriga cresce, a postura e o centro de gravidade mudam, os ligamentos ficam mais flexíveis e a lombar começa a pagar parte da conta. A bacia também pode queixar-se, sobretudo em dias mais longos ou com muito tempo de pé.

Alternar posições, evitar torções bruscas, sentar com apoio e mexer o corpo com regularidade costuma ajudar mais do que ficar completamente parada. Se a dor vem com febre, ardor urinário, sangue, contrações ou perda de força numa perna, precisa de outro tipo de atenção.

Movimentos do bebé

Nesta fase, os movimentos do bebé já devem fazer parte da tua perceção diária. Não tens de contar pontapés de forma obsessiva, mas faz sentido reconheceres o padrão habitual do teu bebé.

Se notares uma redução clara face ao padrão que já conheces, não penses “amanhã logo vejo”. Menos espaço não é uma explicação aceitável para menos movimentos. Este é um motivo válido para procurares observação médica urgente.

Azia ou refluxo

A azia e refluxo são convidados frequentes na gravidez. As hormonas relaxam a separação entre o estômago e o esófago e, mais tarde, o útero também ocupa espaço, aumenta a pressão intrabdominal e empurra o conteúdo gástrico para cima sem cerimónia.

O caminho é comer menos de cada vez, evitar deitar logo a seguir às refeições e perceber que alimentos te pioram a azia. Sabias que algumas pessoas ficam cheias de azia depois de comer sopa?

Se estás a comer cada vez pior, a vomitar ou sem conseguir controlar estes sintomas, fala com a tua equipa em vez de sofreres. Existe medicação segura na gravidez.

Hemorróidas

As hemorróidas podem aparecer porque há mais pressão na zona pélvica e, muitas vezes, também porque a obstipação obriga a fazer mais força para evacuar. O resultado pode ser prurido, dor, incómodo ao evacuar ou um pequeno sangramento vermelho vivo.

Resolver a obstipação ajuda quase sempre mais do que tentar tratar só a consequência. Se tens sangramento e não tens a certeza de que são hemorróidas, ou se a dor é forte e não cede, vale a pena confirmar com o teu médico.

Cãibras nas pernas

As cãibras nas pernas, sobretudo à noite, são uma daquelas chatices muito comuns e pouco agradáveis da gravidez. Podem aparecer de repente e acordar-te com a delicadeza de uma sirene.

Quando acontece, puxar os dedos do pé na tua direção costuma ajudar mais do que esticar a ponta do pé.

Se uma perna ficar muito inchada, vermelha, quente ou dolorosa de forma persistente, isso já não parece uma cãibra banal - procura ajuda porque pode ser uma trombose!

Inchaço dos pés, tornozelos ou mãos

Um inchaço ligeiro ao fim do dia, sobretudo nos pés e tornozelos, é frequente na segunda metade da gravidez. O calor e muitas horas sentada ou de pé podem piorá-lo.

Descansar com as pernas elevadas e evitar dias inteiros sem mexer ajuda algumas grávidas. Elevar ligeiramente o fundo do colchão na cama ajuda a acordares menos inchada.

O que muda o cenário é um inchaço súbito, muito marcado, sobretudo nas mãos ou na cara, ou acompanhado de dor de cabeça e alterações da visão. Nesta situação, vai ao serviço de urgência para seres avaliada.

Sono interrompido ou dificuldade em encontrar posição

No terceiro trimestre, dormir pode virar um pequeno projeto de engenharia. A barriga pesa, a bexiga lembra-se de ti várias vezes a meio da noite, o bebé às vezes escolhe o silêncio da madrugada para ensaiar coreografias e a cabeça nem sempre colabora.

Não existe nenhuma posição proibida para dormir, mas algumas é provável que se tornem desconfortáveis à medida que a barriga cresce. Habitualmente as grávidas optam por dormir deitadas de lado, com almofadas entre as pernas, atrás das costas ou debaixo da barriga a apoiar o corpo.

Pressão pélvica ou sensação de peso

Peso na bacia, sensação de que tudo está mais baixo ou dificuldade em andar depressa é um relato muito comum nesta fase. Pode vir do crescimento do bebé, da postura, do pavimento pélvico a trabalhar mais e, mais perto do fim, da descida do bebé.

Pausas mais frequentes, passos mais curtos e apoio quando necessário podem ajudar. Se a sensação muda de repente ou vem com perda de líquido vaginal, sangue ou contrações ritmadas, vale a pena procurar observação.

Contrações de treino

As contrações de treino, ou Braxton Hicks, costumam ser irregulares: a barriga fica dura, depois passa, e não entram obrigatoriamente num padrão cada vez mais forte e mais próximo. Podem ser incómodas, mas não costumam desencadear o início do trabalho de parto.

Beber água, descansar e mudar de posição pode aliviar. Perto do fim, a diferença entre treino e trabalho de parto costuma estar no ritmo, na duração e no facto de passarem ou pelo contrário ficarem cada vez mais intensas e frequentes.

Pequenas perdas de colostro

Pequenas perdas de colostro podem acontecer ainda durante a gravidez. É um líquido amarelado ou mais transparente que sai pelos mamilos e não quer dizer, por si só, que o parto esteja prestes a começar.

Se as tuas mamas são das que vedam bem e não vês sair nada, não é motivo de preocupação.

O que merece atenção é sangue a sair pelo mamilo, uma mama muito vermelha e dolorosa ou um corrimento mamilar que te pareça francamente estranho.

Sinais de aproximação do parto

Perto do termo, o corpo pode começar a dar sinais mais concretos de se aproximar o grande momento: contrações com ritmo, pressão na bacia, perda do rolhão mucoso, dor lombar com padrão ou rotura de bolsa.

Os sinais de alarme são a perda de sangue em quantidade relevante ou diminuição dos movimentos do bebé.

⚠️ Redução clara dos movimentos do bebé.

⚠️ Perda de líquido, sangue vivo ou contrações regulares e dolorosas.

⚠️ Dor de cabeça forte ou persistente, alterações da visão, inchaço súbito ou dor no alto da barriga.

⚠️ Náuseas ou vómitos súbitos, falta de ar ou mal-estar intenso.

Perguntas frequentes

Perguntas sobre 39 semanas de gravidez

39 semanas de gravidez são quantos meses?

De forma aproximada, 39 semanas de gravidez correspondem ao 9.º mês. A contagem em semanas continua a ser a referência mais útil.

Como sei se estou com pré-eclâmpsia?

Os sinais incluem dor de cabeça forte e persistente, alterações da visão (turva, manchas), dor no alto da barriga, inchaço súbito da face/mãos/pés, náuseas ou vómitos súbitos. Se tiveres algum, procura avaliação.

O que fazer quando se chega às 39 semanas sem sinais de parto?

Segue o teu dia a dia com naturalidade, dentro do que o corpo permitir. Passeios leves, refeições simples, descanso, uma série, uma sesta. A data provável do parto é uma referência, não uma marcação.