Vamos ser pais

35 semanas de gravidez

3.ºTrimestre
8Meses
88%Progresso
Mariana Torres

Revisto por Mariana Torres , Ginecologista-Obstetra

Última actualização: 24 de maio de 2026

Às 35 semanas, falta pouco e o corpo sabe disso. O descanso pode deixar de ser um extra e passar a ser uma necessidade mais difícil de abdicar.

Depois da semana 34, em que a mala e a logística começaram a ganhar forma, esta semana pode ser boa para olhares para a tua rotina e autocuidado com alguma honestidade: o que ainda faz sentido manter, o que precisa de ajuda e o que pode esperar.

A consulta hospitalar de termo aproxima-se — leva o Boletim, análises, ecografias e dúvidas.

O hipnonascimento pode ser uma ferramenta útil para trabalhar respiração, relaxamento e medo do parto.

Muitos bebés já estão de cabeça para baixo e alguns começam a encaixar na bacia.

Evolução do feto

Desenvolvimento do bebé com 35 semanas

O bebé continua a crescer e a ganhar peso, podendo pesar cerca de 2,4 kg. Os pulmões e o cérebro continuam a amadurecer, e o corpo vai ficando cada vez mais parecido com o de um recém-nascido.

Os movimentos devem manter-se presentes. Podem ser menos "acrobáticos" e mais em forma de pressão, alongamentos ou empurrões, mas o padrão do teu bebé continua a ser importante. Se houver uma redução clara, pede avaliação.

Muitos bebés já estão de cabeça para baixo nesta fase. Alguns começam a encaixar na bacia e sentes algum alívio na zona do estômago, outros só o fazem mais tarde, e isso pode variar muito entre primeiras gravidezes e gravidezes seguintes.

Desenvolvimento do bebé às 35 semanas de gravidez © Crown copyright, NHS

O teu corpo

Mudanças no meu corpo

A consulta hospitalar de termo aproxima-se. É uma boa altura para reunires o Boletim de Saúde da Grávida, as análises, as ecografias, os relatórios e as dúvidas que queres levar. Se tens plano de parto, pode ser útil ter uma versão simples e flexível para discutir. Pode ser útil imprimires e levares à consulta.

Se ainda não exploraste o hipnonascimento, pode ser uma ferramenta interessante para esta fase. Não é uma promessa de parto sem dor nem de parto perfeito, mas pode ajudar-te a trabalhar respiração, relaxamento, visualização, medo e sensação de segurança para o trabalho de parto.

O corpo pode pedir uma gestão de energia mais cuidadosa. Talvez já não consigas fazer o mesmo número de tarefas seguidas, talvez precises de pausas mais frequentes, talvez o sono não recupere tanto como antes.

Também pode ser uma semana para alinhar expectativas com quem vive contigo: que tarefas podem sair das tuas mãos, que ajuda é mesmo útil e o que preferes que não fique para a última semana.

A barriga com 35 semanas

Com 35 semanas, a barriga pode parecer mais baixa se o bebé começa a encaixar na bacia. Algumas grávidas sentem mais pressão pélvica e vontade de urinar; outras notam que a respiração fica ligeiramente mais fácil. Também pode não acontecer já, e isso não significa problema.

Se a barriga parece dura em alguns momentos e depois relaxa, podem ser contrações de treino. Se há ritmo, dor, perda de líquido, perda de sangue ou redução dos movimentos do bebé, deves procurar avaliação.

Sintomas

Sintomas da gravidez às 35 semanas

Às 35 semanas, o cansaço pode ser o sintoma principal, mesmo quando nada de "novo" está a acontecer. O corpo está a gastar energia a sustentar o fim da gravidez, e a cabeça pode estar a tentar antecipar parto, bebé, pós-parto e vida familiar. O corrimento pode aumentar, a pressão pélvica pode ficar mais presente e as contrações de treino podem ser mais percetíveis. O que merece avaliação é a mudança clara: perda de líquido, perda de sangue, contrações regulares, dor forte, febre, sintomas urinários, dor de cabeça intensa, alterações da visão, inchaço súbito ou redução dos movimentos do bebé.

Cansaço mais marcado

No fim da gravidez, o cansaço deixa de ser só hormonal e passa a ser também físico. A barriga pesa, o sono fragmenta-se, levantar da cama exige uma grande logística e as tarefas pequenas podem gastar uma energia desproporcional.

Se este cansaço te está a impedir de funcionar no dia-a-dia, se estás a sentir-te muito ofegante, mais pálida, com palpitações ou sem força para o dia, fala com a equipa que te acompanha. Às vezes vale a pena rever as análises e perceber se há anemia, ferro baixo, problemas na tiróide ou outra condição a contribuir.

Mamas sensíveis, inchadas ou tensas

Mais perto do fim da gravidez, as mamas podem voltar a ficar sensíveis e, algumas mulheres apercebem-se de manchinhas de colostro no soutien. O teu corpo está a preparar-se para a chegada do teu bebé. Mas atenção, nem todas as mamas pingam! Se não te aperceberes de perda de colostro, não é motivo para preocupação, desde que tenhas sentido que ficaram diferentes ao longo da gravidez em termos de tamanho e vascularização. Na dúvida, conversa com a tua consultora de lactação.

Um soutien com um bom suporte costuma ajudar a dar conforto. Mas se a mama ficar vermelha, quente, muito dolorosa ou se tiveres febre, procura avaliação em vez de assumir que é “só mais um sintoma”.

Vontade de urinar mais vezes

No final da gravidez, a vontade de urinar pode voltar em força porque o útero e o bebé ocupam o espaço onde antes havia mais folga para a bexiga. À noite, isto pode ser pouco divertido.

Não tentes resolver bebendo menos água. É essencial que mantenhas uma boa hidratação.

Os sinais de alarme são ardor ao urinar, dor, febre, urina com sangue ou mau cheiro, porque aí já pode haver infeção urinária e convém avaliar.

Inchaço abdominal, gases ou obstipação

A progesterona estar mais alta significa, entre outras coisas, ter o intestino mais lento. O resultado pode ser barriga inchada, gases, sensação de digestão parada e obstipação, mesmo quando estás a comer de forma parecida ao teu normal.

Reforçar a ingestão de água, de fibras e não abdicar de praticar atividade física costumam ajudar, mas às vezes também é preciso rever os suplementos de ferro ou outra medicação com o teu médico. Se estás há vários dias sem conseguir evacuar, com dor importante, vómitos ou barriga muito distendida, procura ajuda.

Oscilações de humor

Hormonas, cansaço, sono com interrupções, medo de que algo corra mal e uma quantidade absurda de opiniões alheias podem pôr o humor a fazer curvas e contracurvas. Chorar com facilidade ou ficar mais irritável não é estranho na gravidez.

Mas uma coisa é oscilar ligeiramente; outra é sentires que estás permanentemente em baixo, muito ansiosa, em pânico, sem prazer nas coisas ou sem conseguir funcionar. Se isso está a acontecer, leva esse tema para a consulta sem receios.

A saúde mental não deve ser descurada na gravidez.

Corrimento vaginal branco

É comum haver mais corrimento na gravidez. Se é branco ou leitoso, sem mau cheiro, sem ardor e sem prurido, costuma ser apenas uma consequência hormonal e não um sinal automático de infeção.

O que pede atenção é um corrimento amarelo, verde, acinzentado, com cheiro forte, com comichão, ardor, sangue ou perda de líquido mais aquosa e contínua.

Dor lombar ou desconforto na bacia

À medida que a barriga cresce, a postura e o centro de gravidade mudam, os ligamentos ficam mais flexíveis e a lombar começa a pagar parte da conta. A bacia também pode queixar-se, sobretudo em dias mais longos ou com muito tempo de pé.

Alternar posições, evitar torções bruscas, sentar com apoio e mexer o corpo com regularidade costuma ajudar mais do que ficar completamente parada. Se a dor vem com febre, ardor urinário, sangue, contrações ou perda de força numa perna, precisa de outro tipo de atenção.

Movimentos do bebé

Nesta fase, os movimentos do bebé já devem fazer parte da tua perceção diária. Não tens de contar pontapés de forma obsessiva, mas faz sentido reconheceres o padrão habitual do teu bebé.

Se notares uma redução clara face ao padrão que já conheces, não penses “amanhã logo vejo”. Menos espaço não é uma explicação aceitável para menos movimentos. Este é um motivo válido para procurares observação médica urgente.

Azia ou refluxo

A azia e refluxo são convidados frequentes na gravidez. As hormonas relaxam a separação entre o estômago e o esófago e, mais tarde, o útero também ocupa espaço, aumenta a pressão intrabdominal e empurra o conteúdo gástrico para cima sem cerimónia.

O caminho é comer menos de cada vez, evitar deitar logo a seguir às refeições e perceber que alimentos te pioram a azia. Sabias que algumas pessoas ficam cheias de azia depois de comer sopa?

Se estás a comer cada vez pior, a vomitar ou sem conseguir controlar estes sintomas, fala com a tua equipa em vez de sofreres. Existe medicação segura na gravidez.

Hemorróidas

As hemorróidas podem aparecer porque há mais pressão na zona pélvica e, muitas vezes, também porque a obstipação obriga a fazer mais força para evacuar. O resultado pode ser prurido, dor, incómodo ao evacuar ou um pequeno sangramento vermelho vivo.

Resolver a obstipação ajuda quase sempre mais do que tentar tratar só a consequência. Se tens sangramento e não tens a certeza de que são hemorróidas, ou se a dor é forte e não cede, vale a pena confirmar com o teu médico.

Cãibras nas pernas

As cãibras nas pernas, sobretudo à noite, são uma daquelas chatices muito comuns e pouco agradáveis da gravidez. Podem aparecer de repente e acordar-te com a delicadeza de uma sirene.

Quando acontece, puxar os dedos do pé na tua direção costuma ajudar mais do que esticar a ponta do pé.

Se uma perna ficar muito inchada, vermelha, quente ou dolorosa de forma persistente, isso já não parece uma cãibra banal - procura ajuda porque pode ser uma trombose!

Sensação de calor ou tonturas

Sentires mais calor, quebra de energia ou algumas tonturas pode acontecer porque os vasos sanguíneos dilatam, a tensão arterial desce e o corpo está a trabalhar em modo gravidez mesmo quando tu só estás a tentar sair da cama.

Não te esqueças que tens que te levantar devagar, não passar horas sem comer, manter-te hidratada e sentar ou deitar de lado se sentires que vais desmaiar.

O mais importante é não desmaiares para não te magoares.

Desmaio, falta de ar súbita, dor no peito, palpitações persistentes ou tonturas que não passam devem ser avaliados de imediato.

Inchaço dos pés, tornozelos ou mãos

Um inchaço ligeiro ao fim do dia, sobretudo nos pés e tornozelos, é frequente na segunda metade da gravidez. O calor e muitas horas sentada ou de pé podem piorá-lo.

Descansar com as pernas elevadas e evitar dias inteiros sem mexer ajuda algumas grávidas. Elevar ligeiramente o fundo do colchão na cama ajuda a acordares menos inchada.

O que muda o cenário é um inchaço súbito, muito marcado, sobretudo nas mãos ou na cara, ou acompanhado de dor de cabeça e alterações da visão. Nesta situação, vai ao serviço de urgência para seres avaliada.

Sono interrompido ou dificuldade em encontrar posição

No terceiro trimestre, dormir pode virar um pequeno projeto de engenharia. A barriga pesa, a bexiga lembra-se de ti várias vezes a meio da noite, o bebé às vezes escolhe o silêncio da madrugada para ensaiar coreografias e a cabeça nem sempre colabora.

Não existe nenhuma posição proibida para dormir, mas algumas é provável que se tornem desconfortáveis à medida que a barriga cresce. Habitualmente as grávidas optam por dormir deitadas de lado, com almofadas entre as pernas, atrás das costas ou debaixo da barriga a apoiar o corpo.

Falta de ar ligeira

Uma falta de ar ligeira ao subir escadas, falar depressa ou deitar completamente na horizontal pode acontecer no terceiro trimestre. O útero sobe e pressiona o diafragma, o corpo precisa de mais oxigénio e a margem de conforto respiratório fica menor.

Isso não quer dizer que toda a falta de ar é para normalizar. Se estás ofegante em repouso, com dor no peito, febre, palpitações importantes ou uma sensação clara de que não consegues respirar bem, pede avaliação.

Pressão pélvica ou sensação de peso

Peso na bacia, sensação de que tudo está mais baixo ou dificuldade em andar depressa é um relato muito comum nesta fase. Pode vir do crescimento do bebé, da postura, do pavimento pélvico a trabalhar mais e, mais perto do fim, da descida do bebé.

Se esta pressão aparece acompanhada de contrações regulares, dor lombar ritmada, perda de líquido ou sangue, isso já não entra na gaveta do desconforto banal e deve ser avaliado.

Contrações de treino

As contrações de treino, ou Braxton Hicks, costumam ser irregulares: a barriga fica dura, depois passa, e não entram obrigatoriamente num padrão cada vez mais forte e mais próximo. Podem ser incómodas, mas não costumam desencadear o início do trabalho de parto.

Descansar, beber água e mudar de posição pode aliviar. Mas se as contrações começam a ganhar ritmo, ficam dolorosas ou se juntam a pressão pélvica, sangue ou líquido antes das 37 semanas, deves procurar avaliação.

Pequenas perdas de colostro

Pequenas perdas de colostro podem acontecer ainda durante a gravidez. É um líquido amarelado ou mais transparente que sai pelos mamilos e não quer dizer, por si só, que o parto esteja prestes a começar.

Se as tuas mamas são das que vedam bem e não vês sair nada, não é motivo de preocupação.

O que merece atenção é sangue a sair pelo mamilo, uma mama muito vermelha e dolorosa ou um corrimento mamilar que te pareça francamente estranho.

⚠️ Redução clara dos movimentos do bebé.

⚠️ Contrações regulares e dolorosas, perda de líquido ou sangue.

⚠️ Dor de cabeça forte, alterações da visão, inchaço súbito ou dor no alto da barriga.

⚠️ Febre, ardor ao urinar ou sinais de infeção.

Perguntas frequentes

Perguntas sobre 35 semanas de gravidez

35 semanas de gravidez são quantos meses?

De forma aproximada, 35 semanas de gravidez correspondem ao 8.º mês. A contagem em semanas continua a ser a referência mais útil.

O que é o hipnonascimento?

É uma abordagem baseada em técnicas de relaxamento, respiração e visualização para o trabalho de parto. Não promete um parto sem dor, mas pode ajudar a reduzir o medo e aumentar a sensação de segurança.

Como gerir a energia e o cansaço às 35 semanas?

O corpo pode pedir pausas mais frequentes e o sono pode não recuperar como antes. É uma boa altura para alinhar com quem vive contigo: que tarefas podem sair das tuas mãos e que ajuda é realmente útil.