
33 semanas de gravidez
Revisto por Mariana Torres , Ginecologista-Obstetra
Última actualização: 24 de maio de 2026
Às 33 semanas, o bebé pode mexer-se de forma diferente porque está maior. Diferente não quer dizer menos. Se o padrão reduz claramente, não fiques à espera "mais um bocadinho" para procurar avaliação.
Depois da semana 32, em que a preparação começou a entrar na logística diária, esta semana pode trazer uma pergunta muito concreta: o bebé já está de cabeça para baixo? A resposta pode ser tranquilizadora, mas também pode ainda não estar fechada.
▶ O bebé pode ainda mudar de posição – muitos viram sozinhos depois das 33 semanas.
▶ Confirma se a consulta hospitalar de termo está encaminhada e se tens as análises do 3.º trimestre em dia.
▶ Se o bebé estiver pélvico, podes explorar abordagens como Spinning Babies para ajudar a posição.
Evolução do feto
Desenvolvimento do bebé com 33 semanas
O bebé continua a crescer e a amadurecer. O cérebro, os pulmões e os sentidos continuam em desenvolvimento, e os movimentos podem ser menos acrobáticos e mais em forma de empurrões, alongamentos e pressão.
Nesta fase, muitos bebés já estão de cabeça para baixo, mas outros continuam sentados, atravessados ou ainda a mudar de posição. A posição deve ser confirmada por quem acompanha a gravidez, através da palpação abdominal ou por ecografia. Também podes ter uma perceção da posição se interpretares os movimentos que sentes o bebé fazer.
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Mudanças no meu corpo
O corpo pode estar menos tolerante ao esforço. Não é só cansaço: é peso, noites fragmentadas, respiração com menos amplitude, mais pressão e uma cabeça que começa a organizar muitas coisas ao mesmo tempo.
Se ainda não tens a consulta de termo encaminhada, confirma com a equipa que o processo de referenciação está a andar.
Também pode ser uma boa altura para confirmares se tens análises sanguíneas e de urina do terceiro trimestre pedidas ou já realizadas, e quando deves levar os resultados à consulta.
A barriga com 33 semanas
Com 33 semanas, a forma da barriga pode variar muito com a posição do bebé. Pode parecer mais alta, mais baixa, mais lateralizada ou mudar ao longo do dia, sem que isso diga por si só se está tudo bem ou quando o parto vai começar.
Se o bebé ainda não estiver de cabeça para baixo, não é motivo para entrares em pânico. Depois das 33 semanas ainda muitos bebés vão virar sozinhos. Mas pode ser interessante descobrires o mundo do Spinning Babies e de como o movimento pode ajudar o teu bebé a virar. Tens umas semanas até ser colocada em cima da mesa a opção de Versão Cefálica Externa.
Sintomas
Sintomas da gravidez às 33 semanas
Às 33 semanas, podes notar mais pressão na bacia, barriga mais dura em alguns momentos, desconforto nas costelas ou sensação de que já não há posição perfeita. Estes sintomas podem variar com a posição do bebé e com o teu nível de atividade. O que interessa é o padrão: se há contrações regulares, perda de líquido, perda de sangue, dor forte, febre, redução dos movimentos do bebé ou uma sensação clara de que alguma coisa mudou, pede orientação.
Cansaço mais marcado
No fim da gravidez, o cansaço deixa de ser só hormonal e passa a ser também físico. A barriga pesa, o sono fragmenta-se, levantar da cama exige uma grande logística e as tarefas pequenas podem gastar uma energia desproporcional.
Se este cansaço te está a impedir de funcionar no dia-a-dia, se estás a sentir-te muito ofegante, mais pálida, com palpitações ou sem força para o dia, fala com a equipa que te acompanha. Às vezes vale a pena rever as análises e perceber se há anemia, ferro baixo, problemas na tiróide ou outra condição a contribuir.
Mamas sensíveis, inchadas ou tensas
Mais perto do fim da gravidez, as mamas podem voltar a ficar sensíveis e, algumas mulheres apercebem-se de manchinhas de colostro no soutien. O teu corpo está a preparar-se para a chegada do teu bebé. Mas atenção, nem todas as mamas pingam! Se não te aperceberes de perda de colostro, não é motivo para preocupação, desde que tenhas sentido que ficaram diferentes ao longo da gravidez em termos de tamanho e vascularização. Na dúvida, conversa com a tua consultora de lactação.
Um soutien com um bom suporte costuma ajudar a dar conforto. Mas se a mama ficar vermelha, quente, muito dolorosa ou se tiveres febre, procura avaliação em vez de assumir que é “só mais um sintoma”.
Vontade de urinar mais vezes
No final da gravidez, a vontade de urinar pode voltar em força porque o útero e o bebé ocupam o espaço onde antes havia mais folga para a bexiga. À noite, isto pode ser pouco divertido.
Não tentes resolver bebendo menos água. É essencial que mantenhas uma boa hidratação.
Os sinais de alarme são ardor ao urinar, dor, febre, urina com sangue ou mau cheiro, porque aí já pode haver infeção urinária e convém avaliar.
Inchaço abdominal, gases ou obstipação
A progesterona estar mais alta significa, entre outras coisas, ter o intestino mais lento. O resultado pode ser barriga inchada, gases, sensação de digestão parada e obstipação, mesmo quando estás a comer de forma parecida ao teu normal.
Reforçar a ingestão de água, de fibras e não abdicar de praticar atividade física costumam ajudar, mas às vezes também é preciso rever os suplementos de ferro ou outra medicação com o teu médico. Se estás há vários dias sem conseguir evacuar, com dor importante, vómitos ou barriga muito distendida, procura ajuda.
Oscilações de humor
Hormonas, cansaço, sono com interrupções, medo de que algo corra mal e uma quantidade absurda de opiniões alheias podem pôr o humor a fazer curvas e contracurvas. Chorar com facilidade ou ficar mais irritável não é estranho na gravidez.
Mas uma coisa é oscilar ligeiramente; outra é sentires que estás permanentemente em baixo, muito ansiosa, em pânico, sem prazer nas coisas ou sem conseguir funcionar. Se isso está a acontecer, leva esse tema para a consulta sem receios.
A saúde mental não deve ser descurada na gravidez.
Corrimento vaginal branco
É comum haver mais corrimento na gravidez. Se é branco ou leitoso, sem mau cheiro, sem ardor e sem prurido, costuma ser apenas uma consequência hormonal e não um sinal automático de infeção.
O que pede atenção é um corrimento amarelo, verde, acinzentado, com cheiro forte, com comichão, ardor, sangue ou perda de líquido mais aquosa e contínua.
Pele diferente: manchas, borbulhas ou escurecimento
A pele pode ficar mais oleosa, aparecer acne, escurecerem os mamilos, surgir um linha vertical na barriga ou manchas no rosto. É uma coleção pouco apreciada pelas grávidas, mas bastante comum.
O sol costuma piorar algumas destas mudanças, por isso a proteção solar tem utilidade real extra durante a graviez. Se aparecer comichão intensa, erupção cutânea marcada ou uma mudança súbita que te pareça fora do padrão, vale a pena mostrar em consulta.
Dor lombar ou desconforto na bacia
À medida que a barriga cresce, a postura e o centro de gravidade mudam, os ligamentos ficam mais flexíveis e a lombar começa a pagar parte da conta. A bacia também pode queixar-se, sobretudo em dias mais longos ou com muito tempo de pé.
Alternar posições, evitar torções bruscas, sentar com apoio e mexer o corpo com regularidade costuma ajudar mais do que ficar completamente parada. Se a dor vem com febre, ardor urinário, sangue, contrações ou perda de força numa perna, precisa de outro tipo de atenção.
Movimentos do bebé
Nesta fase, os movimentos do bebé já devem fazer parte da tua perceção diária. Não tens de contar pontapés de forma obsessiva, mas faz sentido reconheceres o padrão habitual do teu bebé.
Se notares uma redução clara face ao padrão que já conheces, não penses “amanhã logo vejo”. Menos espaço não é uma explicação aceitável para menos movimentos. Este é um motivo válido para procurares observação médica urgente.
Azia ou refluxo
A azia e refluxo são convidados frequentes na gravidez. As hormonas relaxam a separação entre o estômago e o esófago e, mais tarde, o útero também ocupa espaço, aumenta a pressão intrabdominal e empurra o conteúdo gástrico para cima sem cerimónia.
O caminho é comer menos de cada vez, evitar deitar logo a seguir às refeições e perceber que alimentos te pioram a azia. Sabias que algumas pessoas ficam cheias de azia depois de comer sopa?
Se estás a comer cada vez pior, a vomitar ou sem conseguir controlar estes sintomas, fala com a tua equipa em vez de sofreres. Existe medicação segura na gravidez.
Hemorróidas
As hemorróidas podem aparecer porque há mais pressão na zona pélvica e, muitas vezes, também porque a obstipação obriga a fazer mais força para evacuar. O resultado pode ser prurido, dor, incómodo ao evacuar ou um pequeno sangramento vermelho vivo.
Resolver a obstipação ajuda quase sempre mais do que tentar tratar só a consequência. Se tens sangramento e não tens a certeza de que são hemorróidas, ou se a dor é forte e não cede, vale a pena confirmar com o teu médico.
Cãibras nas pernas
As cãibras nas pernas, sobretudo à noite, são uma daquelas chatices muito comuns e pouco agradáveis da gravidez. Podem aparecer de repente e acordar-te com a delicadeza de uma sirene.
Quando acontece, puxar os dedos do pé na tua direção costuma ajudar mais do que esticar a ponta do pé.
Se uma perna ficar muito inchada, vermelha, quente ou dolorosa de forma persistente, isso já não parece uma cãibra banal - procura ajuda porque pode ser uma trombose!
Sensação de calor ou tonturas
Sentires mais calor, quebra de energia ou algumas tonturas pode acontecer porque os vasos sanguíneos dilatam, a tensão arterial desce e o corpo está a trabalhar em modo gravidez mesmo quando tu só estás a tentar sair da cama.
Não te esqueças que tens que te levantar devagar, não passar horas sem comer, manter-te hidratada e sentar ou deitar de lado se sentires que vais desmaiar.
O mais importante é não desmaiares para não te magoares.
Desmaio, falta de ar súbita, dor no peito, palpitações persistentes ou tonturas que não passam devem ser avaliados de imediato.
Inchaço dos pés, tornozelos ou mãos
Um inchaço ligeiro ao fim do dia, sobretudo nos pés e tornozelos, é frequente na segunda metade da gravidez. O calor e muitas horas sentada ou de pé podem piorá-lo.
Descansar com as pernas elevadas e evitar dias inteiros sem mexer ajuda algumas grávidas. Elevar ligeiramente o fundo do colchão na cama ajuda a acordares menos inchada.
O que muda o cenário é um inchaço súbito, muito marcado, sobretudo nas mãos ou na cara, ou acompanhado de dor de cabeça e alterações da visão. Nesta situação, vai ao serviço de urgência para seres avaliada.
Sono interrompido ou dificuldade em encontrar posição
No terceiro trimestre, dormir pode virar um pequeno projeto de engenharia. A barriga pesa, a bexiga lembra-se de ti várias vezes a meio da noite, o bebé às vezes escolhe o silêncio da madrugada para ensaiar coreografias e a cabeça nem sempre colabora.
Não existe nenhuma posição proibida para dormir, mas algumas é provável que se tornem desconfortáveis à medida que a barriga cresce. Habitualmente as grávidas optam por dormir deitadas de lado, com almofadas entre as pernas, atrás das costas ou debaixo da barriga a apoiar o corpo.
Falta de ar ligeira
Uma falta de ar ligeira ao subir escadas, falar depressa ou deitar completamente na horizontal pode acontecer no terceiro trimestre. O útero sobe e pressiona o diafragma, o corpo precisa de mais oxigénio e a margem de conforto respiratório fica menor.
Isso não quer dizer que toda a falta de ar é para normalizar. Se estás ofegante em repouso, com dor no peito, febre, palpitações importantes ou uma sensação clara de que não consegues respirar bem, pede avaliação.
Pressão pélvica ou sensação de peso
Peso na bacia, sensação de que tudo está mais baixo ou dificuldade em andar depressa é um relato muito comum nesta fase. Pode vir do crescimento do bebé, da postura, do pavimento pélvico a trabalhar mais e, mais perto do fim, da descida do bebé.
Se esta pressão aparece acompanhada de contrações regulares, dor lombar ritmada, perda de líquido ou sangue, isso já não entra na gaveta do desconforto banal e deve ser avaliado.
Contrações de treino
As contrações de treino, ou Braxton Hicks, costumam ser irregulares: a barriga fica dura, depois passa, e não entram obrigatoriamente num padrão cada vez mais forte e mais próximo. Podem ser incómodas, mas não costumam desencadear o início do trabalho de parto.
Descansar, beber água e mudar de posição pode aliviar. Mas se as contrações começam a ganhar ritmo, ficam dolorosas ou se juntam a pressão pélvica, sangue ou líquido antes das 37 semanas, deves procurar avaliação.
Pequenas perdas de colostro
Pequenas perdas de colostro podem acontecer ainda durante a gravidez. É um líquido amarelado ou mais transparente que sai pelos mamilos e não quer dizer, por si só, que o parto esteja prestes a começar.
Se as tuas mamas são das que vedam bem e não vês sair nada, não é motivo de preocupação.
O que merece atenção é sangue a sair pelo mamilo, uma mama muito vermelha e dolorosa ou um corrimento mamilar que te pareça francamente estranho.
⚠️ Redução clara dos movimentos do bebé.
⚠️ Contrações regulares antes das 37 semanas, perda de líquido ou perda de sangue.
⚠️ Dor de cabeça forte, alterações da visão, dor no alto da barriga ou inchaço súbito.
⚠️ Febre, ardor ao urinar, comichão intensa ou corrimento com mau cheiro.
Perguntas frequentes
Perguntas sobre 33 semanas de gravidez
33 semanas de gravidez são quantos meses?
De forma aproximada, 33 semanas de gravidez correspondem ao 8.º mês. A contagem em semanas continua a ser a referência mais útil.
O que fazer se o bebé estiver pélvico às 33 semanas?
Ainda há tempo para o bebé virar sozinho. Podes explorar o Spinning Babies e, mais perto das 36 semanas, a equipa pode falar contigo sobre a Versão Cefálica Externa (VCE).
Como sei se o bebé está de cabeça para baixo?
A posição deve ser confirmada por quem acompanha a gravidez, através da palpação abdominal ou ecografia. Também podes ter uma perceção pelos movimentos que sentes.
Referências
Navegar no guia
Guia da Gravidez Semana a Semana
Semanas 4 a 12
1.º trimestre
Semanas 13 a 27
2.º trimestre
Semanas 28 a 41