Vamos ser pais

38 semanas de gravidez

3.ºTrimestre
9Meses
95%Progresso
Mariana Torres

Revisto por Mariana Torres , Ginecologista-Obstetra

Última actualização: 24 de maio de 2026

Às 38 semanas, é fácil sentires que já chegaste ao fim. Mas a maioria dos bebés nasce depois das 39 semanas, e isso pode ajudar a pôr esta semana em perspetiva: estás perto, sim, mas ainda podes ter dias ou semanas pela frente.

Se não existir motivo clínico para indução, há vantagens em deixar o trabalho de parto começar espontaneamente. Não porque induzir seja "mau" quando é necessário, mas porque o início espontâneo respeita um processo fisiológico complexo, que envolve o teu corpo, o bebé, a placenta, hormonas, e outros sinais que ainda não compreendemos totalmente.

A maioria dos bebés nasce depois das 39 semanas — mesmo às 38, ainda podes ter semanas pela frente.

Se não houver indicação clínica, há vantagens em esperar pelo início espontâneo do trabalho de parto.

O corpo pode dar sinais (contrações, pressão, corrimento) durante dias sem que o parto comece.

Evolução do feto

Desenvolvimento do bebé com 38 semanas

O bebé é de termo e cada vez mais preparado para nascer, mas isso não quer dizer que tenha terminado tudo o que havia para fazer. Continua a ganhar peso, a reforçar as suas reservas e a preparar-se para respirar, mamar e regular a temperatura depois do nascimento.

Não sabemos exatamente o que desencadeia o início do trabalho de parto em cada gravidez. Mas é provável que o bebé participe nesse "sinal de partida". Uma das hipóteses estudadas é que substâncias libertadas pelos pulmões do bebé, associadas à maturação pulmonar, ajudem a ativar processos inflamatórios e hormonais que contribuem para o início do trabalho de parto.

Os movimentos devem continuar presentes. O espaço é menor, por isso podes sentir mais pressão, alongamentos e movimentos localizados. Mas menos espaço não é explicação para uma redução clara do padrão habitual. Se sentires que o bebé mexe menos, procura avaliação.

Desenvolvimento do bebé às 38 semanas de gravidez © Crown copyright, NHS

O teu corpo

Mudanças no meu corpo

O corpo pode dar sinais durante dias sem que o parto comece. Contrações irregulares, pressão pélvica, lombar mais pesada, alterações do corrimento e noites muito fragmentadas podem fazer parte desta espera ativa.

Nesta fase, pode aparecer a vontade de "marcar uma data" só para acabar com a incerteza. É compreensível. Mas quando está tudo bem contigo e com o bebé, esperar pelo início espontâneo do trabalho de parto pode ser uma escolha importante. Se houver indicação clínica para indução, a conversa muda: aí, o objetivo é equilibrar os benefícios de continuar a gravidez com os riscos de esperar.

Se te propuserem indução, faz perguntas simples: qual é o motivo? o que acontece se esperarmos? que métodos podem ser usados? quanto tempo pode demorar? o que muda no meu caso?

A barriga com 38 semanas

Com 38 semanas, a barriga pode estar baixa, alta, dura ao fim do dia ou simplesmente cansada de existir em primeiro plano. O aspeto não te diz quanto falta.

Se a barriga endurece sem ritmo e depois relaxa, pode ser treino. Se as contrações ficam regulares, cada vez mais intensas e não aliviam com repouso ou mudança de posição, já estamos a falar de outra coisa.

Sintomas

Sintomas da gravidez às 38 semanas

Às 38 semanas, o mais difícil pode ser distinguir preparação de início de trabalho de parto. Sinais de preparação vêm e vão. Trabalho de parto tende a ganhar ritmo, intensidade e continuidade. Pede avaliação se houver perda de líquido, sangue vivo, redução dos movimentos do bebé, contrações regulares e dolorosas, febre, dor forte, dor de cabeça intensa, alterações da visão, inchaço súbito ou dor no alto da barriga. E se o que pesa mais é a ansiedade da espera, isso também merece conversa. A reta final não é só física; também é mental.

Cansaço mais marcado

No fim da gravidez, o cansaço deixa de ser só hormonal e passa a ser também físico. A barriga pesa, o sono fragmenta-se, levantar da cama exige uma grande logística e as tarefas pequenas podem gastar uma energia desproporcional.

Se este cansaço te está a impedir de funcionar no dia-a-dia, se estás a sentir-te muito ofegante, mais pálida, com palpitações ou sem força para o dia, fala com a equipa que te acompanha. Às vezes vale a pena rever as análises e perceber se há anemia, ferro baixo, problemas na tiróide ou outra condição a contribuir.

Mamas sensíveis, inchadas ou tensas

Mais perto do fim da gravidez, as mamas podem voltar a ficar sensíveis e, algumas mulheres apercebem-se de manchinhas de colostro no soutien. O teu corpo está a preparar-se para a chegada do teu bebé. Mas atenção, nem todas as mamas pingam! Se não te aperceberes de perda de colostro, não é motivo para preocupação, desde que tenhas sentido que ficaram diferentes ao longo da gravidez em termos de tamanho e vascularização. Na dúvida, conversa com a tua consultora de lactação.

Um soutien com um bom suporte costuma ajudar a dar conforto. Mas se a mama ficar vermelha, quente, muito dolorosa ou se tiveres febre, procura avaliação em vez de assumir que é “só mais um sintoma”.

Vontade de urinar mais vezes

No final da gravidez, a vontade de urinar pode voltar em força porque o útero e o bebé ocupam o espaço onde antes havia mais folga para a bexiga. À noite, isto pode ser pouco divertido.

Não tentes resolver bebendo menos água. É essencial que mantenhas uma boa hidratação.

Os sinais de alarme são ardor ao urinar, dor, febre, urina com sangue ou mau cheiro, porque aí já pode haver infeção urinária e convém avaliar.

Inchaço abdominal, gases ou obstipação

A progesterona estar mais alta significa, entre outras coisas, ter o intestino mais lento. O resultado pode ser barriga inchada, gases, sensação de digestão parada e obstipação, mesmo quando estás a comer de forma parecida ao teu normal.

Reforçar a ingestão de água, de fibras e não abdicar de praticar atividade física costumam ajudar, mas às vezes também é preciso rever os suplementos de ferro ou outra medicação com o teu médico. Se estás há vários dias sem conseguir evacuar, com dor importante, vómitos ou barriga muito distendida, procura ajuda.

Corrimento vaginal branco

É comum haver mais corrimento na gravidez. Se é branco ou leitoso, sem mau cheiro, sem ardor e sem prurido, costuma ser apenas uma consequência hormonal e não um sinal automático de infeção.

O que pede atenção é um corrimento amarelo, verde, acinzentado, com cheiro forte, com comichão, ardor, sangue ou perda de líquido mais aquosa e contínua.

Dor lombar ou desconforto na bacia

À medida que a barriga cresce, a postura e o centro de gravidade mudam, os ligamentos ficam mais flexíveis e a lombar começa a pagar parte da conta. A bacia também pode queixar-se, sobretudo em dias mais longos ou com muito tempo de pé.

Alternar posições, evitar torções bruscas, sentar com apoio e mexer o corpo com regularidade costuma ajudar mais do que ficar completamente parada. Se a dor vem com febre, ardor urinário, sangue, contrações ou perda de força numa perna, precisa de outro tipo de atenção.

Movimentos do bebé

Nesta fase, os movimentos do bebé já devem fazer parte da tua perceção diária. Não tens de contar pontapés de forma obsessiva, mas faz sentido reconheceres o padrão habitual do teu bebé.

Se notares uma redução clara face ao padrão que já conheces, não penses “amanhã logo vejo”. Menos espaço não é uma explicação aceitável para menos movimentos. Este é um motivo válido para procurares observação médica urgente.

Azia ou refluxo

A azia e refluxo são convidados frequentes na gravidez. As hormonas relaxam a separação entre o estômago e o esófago e, mais tarde, o útero também ocupa espaço, aumenta a pressão intrabdominal e empurra o conteúdo gástrico para cima sem cerimónia.

O caminho é comer menos de cada vez, evitar deitar logo a seguir às refeições e perceber que alimentos te pioram a azia. Sabias que algumas pessoas ficam cheias de azia depois de comer sopa?

Se estás a comer cada vez pior, a vomitar ou sem conseguir controlar estes sintomas, fala com a tua equipa em vez de sofreres. Existe medicação segura na gravidez.

Hemorróidas

As hemorróidas podem aparecer porque há mais pressão na zona pélvica e, muitas vezes, também porque a obstipação obriga a fazer mais força para evacuar. O resultado pode ser prurido, dor, incómodo ao evacuar ou um pequeno sangramento vermelho vivo.

Resolver a obstipação ajuda quase sempre mais do que tentar tratar só a consequência. Se tens sangramento e não tens a certeza de que são hemorróidas, ou se a dor é forte e não cede, vale a pena confirmar com o teu médico.

Cãibras nas pernas

As cãibras nas pernas, sobretudo à noite, são uma daquelas chatices muito comuns e pouco agradáveis da gravidez. Podem aparecer de repente e acordar-te com a delicadeza de uma sirene.

Quando acontece, puxar os dedos do pé na tua direção costuma ajudar mais do que esticar a ponta do pé.

Se uma perna ficar muito inchada, vermelha, quente ou dolorosa de forma persistente, isso já não parece uma cãibra banal - procura ajuda porque pode ser uma trombose!

Inchaço dos pés, tornozelos ou mãos

Um inchaço ligeiro ao fim do dia, sobretudo nos pés e tornozelos, é frequente na segunda metade da gravidez. O calor e muitas horas sentada ou de pé podem piorá-lo.

Descansar com as pernas elevadas e evitar dias inteiros sem mexer ajuda algumas grávidas. Elevar ligeiramente o fundo do colchão na cama ajuda a acordares menos inchada.

O que muda o cenário é um inchaço súbito, muito marcado, sobretudo nas mãos ou na cara, ou acompanhado de dor de cabeça e alterações da visão. Nesta situação, vai ao serviço de urgência para seres avaliada.

Sono interrompido ou dificuldade em encontrar posição

No terceiro trimestre, dormir pode virar um pequeno projeto de engenharia. A barriga pesa, a bexiga lembra-se de ti várias vezes a meio da noite, o bebé às vezes escolhe o silêncio da madrugada para ensaiar coreografias e a cabeça nem sempre colabora.

Não existe nenhuma posição proibida para dormir, mas algumas é provável que se tornem desconfortáveis à medida que a barriga cresce. Habitualmente as grávidas optam por dormir deitadas de lado, com almofadas entre as pernas, atrás das costas ou debaixo da barriga a apoiar o corpo.

Pressão pélvica ou sensação de peso

Peso na bacia, sensação de que tudo está mais baixo ou dificuldade em andar depressa é um relato muito comum nesta fase. Pode vir do crescimento do bebé, da postura, do pavimento pélvico a trabalhar mais e, mais perto do fim, da descida do bebé.

Pausas mais frequentes, passos mais curtos e apoio quando necessário podem ajudar. Se a sensação muda de repente ou vem com perda de líquido vaginal, sangue ou contrações ritmadas, vale a pena procurar observação.

Contrações de treino

As contrações de treino, ou Braxton Hicks, costumam ser irregulares: a barriga fica dura, depois passa, e não entram obrigatoriamente num padrão cada vez mais forte e mais próximo. Podem ser incómodas, mas não costumam desencadear o início do trabalho de parto.

Beber água, descansar e mudar de posição pode aliviar. Perto do fim, a diferença entre treino e trabalho de parto costuma estar no ritmo, na duração e no facto de passarem ou pelo contrário ficarem cada vez mais intensas e frequentes.

Pequenas perdas de colostro

Pequenas perdas de colostro podem acontecer ainda durante a gravidez. É um líquido amarelado ou mais transparente que sai pelos mamilos e não quer dizer, por si só, que o parto esteja prestes a começar.

Se as tuas mamas são das que vedam bem e não vês sair nada, não é motivo de preocupação.

O que merece atenção é sangue a sair pelo mamilo, uma mama muito vermelha e dolorosa ou um corrimento mamilar que te pareça francamente estranho.

Sinais de aproximação do parto

Perto do termo, o corpo pode começar a dar sinais mais concretos de se aproximar o grande momento: contrações com ritmo, pressão na bacia, perda do rolhão mucoso, dor lombar com padrão ou rotura de bolsa.

Os sinais de alarme são a perda de sangue em quantidade relevante ou diminuição dos movimentos do bebé.

⚠️ Redução clara dos movimentos do bebé.

⚠️ Perda de líquido, sangue vivo ou contrações regulares e dolorosas que não aliviam.

⚠️ Dor de cabeça forte, alterações da visão, inchaço súbito ou dor no alto da barriga.

⚠️ Febre, arrepios ou mal-estar intenso.

Perguntas frequentes

Perguntas sobre 38 semanas de gravidez

38 semanas de gravidez são quantos meses?

De forma aproximada, 38 semanas de gravidez correspondem ao 9.º mês. A contagem em semanas continua a ser a referência mais útil.

Quando devo ir para a maternidade?

Se as contrações ficarem regulares, cada vez mais intensas e não aliviarem com repouso ou mudança de posição. Também deves ligar se houver perda de líquido, sangue vivo, redução dos movimentos do bebé ou se tiveres dúvidas.

Induzir ou esperar — como decidir?

Se não houver indicação clínica, esperar pelo início espontâneo é geralmente a opção mais segura. Se for proposta indução, pergunta o motivo, o que acontece se esperares e que métodos podem ser usados no teu caso.