
36 semanas de gravidez
Revisto por Mariana Torres , Ginecologista-Obstetra
Última actualização: 24 de maio de 2026
Às 36 semanas, a gravidez aproxima-se do termo, mas ainda não é suposto viveres todos os sinais como se fossem "o momento". O corpo está a preparar-se, mas o mais provável é ainda faltarem mais de 3 semanas para o bebé nascer.
Esta semana traz uma pergunta importante: o bebé está de cabeça para baixo? Se sim, ótimo. Se não, é altura de conversar com a equipa sobre o que isso significa e quais são as opções, sem entrar em pânico.
▶ Entre as 35 e 37 semanas é feito o rastreio de Streptococcus do grupo B (zaragatoa vaginal e anorretal).
▶ Se o bebé estiver pélvico, a Versão Cefálica Externa (VCE) pode ser uma opção a partir desta semana.
▶ Os movimentos do bebé continuam a ser o principal sinal de bem-estar em casa.
Evolução do feto
Desenvolvimento do bebé com 36 semanas
O bebé continua a crescer, a ganhar peso e a preparar-se para a vida fora do útero. Os pulmões continuam a amadurecer e o sistema nervoso vai fazendo ajustes importantes.
Os movimentos podem estar mais contidos pelo espaço disponível, mas devem continuar presentes. Podes sentir mais pressão, alongamentos e movimentos localizados. O que não deve acontecer é uma redução clara do padrão habitual.
Se o bebé estiver pélvico ou transverso nesta fase, a equipa pode falar contigo sobre a Versão Cefálica Externa. É uma manobra feita por profissionais treinados, em ambiente hospitalar, com vigilância do bebé, para tentar ajudar o bebé a virar para a posição de cabeça para baixo.
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Mudanças no meu corpo
Se a Versão Cefálica Externa for colocada em cima da mesa, vale a pena perguntares: se é adequada no teu caso, quando deve ser feita, quais são os benefícios, quais são os riscos, qual a probabilidade de sucesso e o que acontece se o bebé não virar.
Nem todas as grávidas são candidatas, e nem todas vão querer ou precisar deste procedimento. A decisão depende de vários fatores, como posição da placenta, quantidade de líquido amniótico, cicatrizes uterinas, crescimento do bebé, bem-estar fetal e contexto clínico.
Entre as 35 e as 37 semanas, costuma ser feita a pesquisa de Streptococcus do grupo B. É uma zaragatoa vaginal e ano-retal simples, que serve para perceber se existe colonização por esta bactéria. Se o resultado for positivo, isso não significa que tenhas uma infeção nem que tenhas feito alguma coisa errada; significa apenas que, no parto, pode estar indicada antibioterapia para reduzir o risco de infeção no bebé.
A barriga com 36 semanas
Com 36 semanas, a barriga pode parecer mais baixa se o bebé encaixou na bacia, mas isso não acontece da mesma forma em todas as grávidas. Em algumas, a respiração melhora um pouco; noutras, a pressão pélvica aumenta sem grande alívio em cima.
Se o bebé está sentado ou atravessado, a barriga também pode ter uma forma diferente ou os movimentos podem parecer mais laterais, mais altos ou mais baixos. A tua perceção pode dar pistas, mas a confirmação deve ser feita pela equipa que te acompanha.
Sintomas
Sintomas da gravidez às 36 semanas
Às 36 semanas, podes sentir mais pressão pélvica, contrações de treino, cansaço, alterações do corrimento e saída do rolhão mucoso. Estes sinais podem fazer parte da preparação do corpo. O que deve levar a avaliação é diferente: perda de líquido, perda de sangue vivo, contrações regulares e dolorosas, dor forte, febre, redução dos movimentos do bebé, dor de cabeça intensa, alterações da visão, inchaço súbito ou dor no alto da barriga. Se não sabes bem em que categoria encaixa o que estás a sentir, não tens de decidir sozinha. Contacta os profissionais de saúde que te acompanham ou a linha SNS 24 - Grávida.
Cansaço mais marcado
No fim da gravidez, o cansaço deixa de ser só hormonal e passa a ser também físico. A barriga pesa, o sono fragmenta-se, levantar da cama exige uma grande logística e as tarefas pequenas podem gastar uma energia desproporcional.
Se este cansaço te está a impedir de funcionar no dia-a-dia, se estás a sentir-te muito ofegante, mais pálida, com palpitações ou sem força para o dia, fala com a equipa que te acompanha. Às vezes vale a pena rever as análises e perceber se há anemia, ferro baixo, problemas na tiróide ou outra condição a contribuir.
Mamas sensíveis, inchadas ou tensas
Mais perto do fim da gravidez, as mamas podem voltar a ficar sensíveis e, algumas mulheres apercebem-se de manchinhas de colostro no soutien. O teu corpo está a preparar-se para a chegada do teu bebé. Mas atenção, nem todas as mamas pingam! Se não te aperceberes de perda de colostro, não é motivo para preocupação, desde que tenhas sentido que ficaram diferentes ao longo da gravidez em termos de tamanho e vascularização. Na dúvida, conversa com a tua consultora de lactação.
Um soutien com um bom suporte costuma ajudar a dar conforto. Mas se a mama ficar vermelha, quente, muito dolorosa ou se tiveres febre, procura avaliação em vez de assumir que é “só mais um sintoma”.
Vontade de urinar mais vezes
No final da gravidez, a vontade de urinar pode voltar em força porque o útero e o bebé ocupam o espaço onde antes havia mais folga para a bexiga. À noite, isto pode ser pouco divertido.
Não tentes resolver bebendo menos água. É essencial que mantenhas uma boa hidratação.
Os sinais de alarme são ardor ao urinar, dor, febre, urina com sangue ou mau cheiro, porque aí já pode haver infeção urinária e convém avaliar.
Inchaço abdominal, gases ou obstipação
A progesterona estar mais alta significa, entre outras coisas, ter o intestino mais lento. O resultado pode ser barriga inchada, gases, sensação de digestão parada e obstipação, mesmo quando estás a comer de forma parecida ao teu normal.
Reforçar a ingestão de água, de fibras e não abdicar de praticar atividade física costumam ajudar, mas às vezes também é preciso rever os suplementos de ferro ou outra medicação com o teu médico. Se estás há vários dias sem conseguir evacuar, com dor importante, vómitos ou barriga muito distendida, procura ajuda.
Corrimento vaginal branco
É comum haver mais corrimento na gravidez. Se é branco ou leitoso, sem mau cheiro, sem ardor e sem prurido, costuma ser apenas uma consequência hormonal e não um sinal automático de infeção.
O que pede atenção é um corrimento amarelo, verde, acinzentado, com cheiro forte, com comichão, ardor, sangue ou perda de líquido mais aquosa e contínua.
Dor lombar ou desconforto na bacia
À medida que a barriga cresce, a postura e o centro de gravidade mudam, os ligamentos ficam mais flexíveis e a lombar começa a pagar parte da conta. A bacia também pode queixar-se, sobretudo em dias mais longos ou com muito tempo de pé.
Alternar posições, evitar torções bruscas, sentar com apoio e mexer o corpo com regularidade costuma ajudar mais do que ficar completamente parada. Se a dor vem com febre, ardor urinário, sangue, contrações ou perda de força numa perna, precisa de outro tipo de atenção.
Movimentos do bebé
Nesta fase, os movimentos do bebé já devem fazer parte da tua perceção diária. Não tens de contar pontapés de forma obsessiva, mas faz sentido reconheceres o padrão habitual do teu bebé.
Se notares uma redução clara face ao padrão que já conheces, não penses “amanhã logo vejo”. Menos espaço não é uma explicação aceitável para menos movimentos. Este é um motivo válido para procurares observação médica urgente.
Azia ou refluxo
A azia e refluxo são convidados frequentes na gravidez. As hormonas relaxam a separação entre o estômago e o esófago e, mais tarde, o útero também ocupa espaço, aumenta a pressão intrabdominal e empurra o conteúdo gástrico para cima sem cerimónia.
O caminho é comer menos de cada vez, evitar deitar logo a seguir às refeições e perceber que alimentos te pioram a azia. Sabias que algumas pessoas ficam cheias de azia depois de comer sopa?
Se estás a comer cada vez pior, a vomitar ou sem conseguir controlar estes sintomas, fala com a tua equipa em vez de sofreres. Existe medicação segura na gravidez.
Hemorróidas
As hemorróidas podem aparecer porque há mais pressão na zona pélvica e, muitas vezes, também porque a obstipação obriga a fazer mais força para evacuar. O resultado pode ser prurido, dor, incómodo ao evacuar ou um pequeno sangramento vermelho vivo.
Resolver a obstipação ajuda quase sempre mais do que tentar tratar só a consequência. Se tens sangramento e não tens a certeza de que são hemorróidas, ou se a dor é forte e não cede, vale a pena confirmar com o teu médico.
Cãibras nas pernas
As cãibras nas pernas, sobretudo à noite, são uma daquelas chatices muito comuns e pouco agradáveis da gravidez. Podem aparecer de repente e acordar-te com a delicadeza de uma sirene.
Quando acontece, puxar os dedos do pé na tua direção costuma ajudar mais do que esticar a ponta do pé.
Se uma perna ficar muito inchada, vermelha, quente ou dolorosa de forma persistente, isso já não parece uma cãibra banal - procura ajuda porque pode ser uma trombose!
Inchaço dos pés, tornozelos ou mãos
Um inchaço ligeiro ao fim do dia, sobretudo nos pés e tornozelos, é frequente na segunda metade da gravidez. O calor e muitas horas sentada ou de pé podem piorá-lo.
Descansar com as pernas elevadas e evitar dias inteiros sem mexer ajuda algumas grávidas. Elevar ligeiramente o fundo do colchão na cama ajuda a acordares menos inchada.
O que muda o cenário é um inchaço súbito, muito marcado, sobretudo nas mãos ou na cara, ou acompanhado de dor de cabeça e alterações da visão. Nesta situação, vai ao serviço de urgência para seres avaliada.
Sono interrompido ou dificuldade em encontrar posição
No terceiro trimestre, dormir pode virar um pequeno projeto de engenharia. A barriga pesa, a bexiga lembra-se de ti várias vezes a meio da noite, o bebé às vezes escolhe o silêncio da madrugada para ensaiar coreografias e a cabeça nem sempre colabora.
Não existe nenhuma posição proibida para dormir, mas algumas é provável que se tornem desconfortáveis à medida que a barriga cresce. Habitualmente as grávidas optam por dormir deitadas de lado, com almofadas entre as pernas, atrás das costas ou debaixo da barriga a apoiar o corpo.
Falta de ar ligeira
Uma falta de ar ligeira ao subir escadas, falar depressa ou deitar completamente na horizontal pode acontecer no terceiro trimestre. O útero sobe e pressiona o diafragma, o corpo precisa de mais oxigénio e a margem de conforto respiratório fica menor.
Isso não quer dizer que toda a falta de ar é para normalizar. Se estás ofegante em repouso, com dor no peito, febre, palpitações importantes ou uma sensação clara de que não consegues respirar bem, pede avaliação.
Pressão pélvica ou sensação de peso
Peso na bacia, sensação de que tudo está mais baixo ou dificuldade em andar depressa é um relato muito comum nesta fase. Pode vir do crescimento do bebé, da postura, do pavimento pélvico a trabalhar mais e, mais perto do fim, da descida do bebé.
Se esta pressão aparece acompanhada de contrações regulares, dor lombar ritmada, perda de líquido ou sangue, isso já não entra na gaveta do desconforto banal e deve ser avaliado.
Contrações de treino
As contrações de treino, ou Braxton Hicks, costumam ser irregulares: a barriga fica dura, depois passa, e não entram obrigatoriamente num padrão cada vez mais forte e mais próximo. Podem ser incómodas, mas não costumam desencadear o início do trabalho de parto.
Descansar, beber água e mudar de posição pode aliviar. Mas se as contrações começam a ganhar ritmo, ficam dolorosas ou se juntam a pressão pélvica, sangue ou líquido antes das 37 semanas, deves procurar avaliação.
Pequenas perdas de colostro
Pequenas perdas de colostro podem acontecer ainda durante a gravidez. É um líquido amarelado ou mais transparente que sai pelos mamilos e não quer dizer, por si só, que o parto esteja prestes a começar.
Se as tuas mamas são das que vedam bem e não vês sair nada, não é motivo de preocupação.
O que merece atenção é sangue a sair pelo mamilo, uma mama muito vermelha e dolorosa ou um corrimento mamilar que te pareça francamente estranho.
⚠️ Redução clara dos movimentos do bebé.
⚠️ Contrações regulares e dolorosas, perda de líquido ou sangue.
⚠️ Dor de cabeça forte, alterações da visão, inchaço súbito ou dor no alto da barriga.
⚠️ Febre, arrepios ou sinais de infeção.
Perguntas frequentes
Perguntas sobre 36 semanas de gravidez
36 semanas de gravidez são quantos meses?
De forma aproximada, 36 semanas de gravidez correspondem ao 9.º mês. A contagem em semanas continua a ser a referência mais útil.
O que é a Versão Cefálica Externa (VCE)?
É uma manobra feita em ambiente hospitalar para tentar virar o bebé pélvico para a posição de cabeça para baixo. Não é adequada para todos os casos e deve ser discutida com a equipa.
O rastreio de Streptococcus B é obrigatório?
É recomendado entre as 35 e 37 semanas. É uma zaragatoa simples. Se for positivo, no parto pode estar indicada antibioterapia para proteger o bebé — não significa que tenhas uma infeção.
Referências
- DGS - Norma 001/2023, atualizada a 23/03/2026
- gov.pt - Acompanhamento na gravidez
- NHS - Your baby's movements
- NHS - Signs that labour has begun
- NHS - What happens if your baby is breech?
- RCOG - Breech baby at the end of pregnancy
- DGS - Rastreio para Streptococcus grupo B entre as 35-37 semanas
- O que é que se passa aqui dentro?, Mariana Torres
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