Vamos ser pais

28 semanas de gravidez

3.ºTrimestre
7Meses
70%Progresso
Mariana Torres

Revisto por Mariana Torres , Ginecologista-Obstetra

Última actualização: 18 de maio de 2026

Às 28 semanas, começa oficialmente o terceiro trimestre. O bebé ainda tem muito peso para ganhar, mas tu começas a perceber que "só faltar mais um trimestre" significa que está quase a chegar ao final.

Se ainda não falaste com o teu médico da vacina da tosse convulsa, este é um bom momento. Em Portugal, a vacina Tdpa é recomendada em cada gravidez entre as 20 e as 36 semanas, idealmente até às 32 semanas, para ajudar a proteger o bebé nos primeiros meses de vida.

Também pode haver outros temas práticos nesta fase: resultados do rastreio da diabetes gestacional, outras análises, imunoglobulina anti-D se o teu grupo sanguíneo for Rh negativo e próximas consultas.

Evolução do feto

Desenvolvimento do bebé com 28 semanas

O bebé continua a ganhar gordura e peso, e pode estar perto de 1 kg. O cérebro, os pulmões e os sentidos continuam a amadurecer, e os movimentos podem estar cada vez mais fáceis de reconhecer.

A partir daqui, os movimentos do bebé ganham mais importância na tua vigilância diária. Não precisas de viver a contar pontapés a toda a hora, mas o bebé ter menos espaço não justifica uma redução clara dos movimentos. Se sentires menos movimentos do que o habitual, ou se alguma coisa te parecer diferente, pede orientação.

Desenvolvimento do bebé às 28 semanas de gravidez © Crown copyright, NHS

O teu corpo

Mudanças no meu corpo

O cansaço pode voltar com outra cara. Já não é necessariamente aquele cansaço do início da gravidez, com enjoos e sono absurdo; agora pode ser o cansaço de carregar mais peso, dormir pior, respirar com menos espaço e fazer mais esforço para tarefas normais.

Também podes notar alguma falta de ar em esforço. O útero está maior, o diafragma tem menos espaço e o corpo trabalha com mais volume de sangue. Se é ligeira e melhora com repouso, pode ser esperado. Se surge de repente, é intensa, vem com dor no peito, desmaio ou mal-estar marcado, pede ajuda com urgência.

Se tens Rh negativo, confirma com a equipa se está prevista a administração de imunoglobulina anti-D por volta desta altura. Não é para todas as grávidas; depende do teu grupo sanguíneo, do rastreio de anticorpos e da orientação clínica.

A barriga com 28 semanas

A barriga pesa mais nas posições e o equilíbrio começa a sofrer. Talvez precises de mais almofadas para dormir, de te virar mais devagar ou de fazer pausas quando estás muito tempo de pé. Isto não significa que tenhas de parar tudo, mas talvez tenhas de ajustar algumas coisas.

Sintomas

Sintomas da gravidez às 28 semanas

Às 28 semanas, podem continuar o sono interrompido, a vontade de urinar, a azia, as cãibras e a dor lombar. Mas nesta fase vale a pena acrescentar outros temas à lista: falta de ar, cansaço mais intenso, pernas pesadas, palpitações ocasionais, tonturas ou sensação de que o corpo tem menos margem para exageros. Leva à consulta aquilo que mudou desde as últimas semanas, especialmente se interfere com o teu dia, com o sono, com a alimentação, com o trabalho ou com a tua tranquilidade. O terceiro trimestre fica mais fácil quando não entras nele a acumular dúvidas.

Cansaço mais marcado

No fim da gravidez, o cansaço deixa de ser só hormonal e passa a ser também físico. A barriga pesa, o sono fragmenta-se, levantar da cama exige uma grande logística e as tarefas pequenas podem gastar uma energia desproporcional.

Se este cansaço te está a impedir de funcionar no dia-a-dia, se estás a sentir-te muito ofegante, mais pálida, com palpitações ou sem força para o dia, fala com a equipa que te acompanha. Às vezes vale a pena rever as análises e perceber se há anemia, ferro baixo, problemas na tiróide ou outra condição a contribuir.

Mamas sensíveis, inchadas ou tensas

Mais perto do fim da gravidez, as mamas podem voltar a ficar sensíveis e, algumas mulheres apercebem-se de manchinhas de colostro no soutien. O teu corpo está a preparar-se para a chegada do teu bebé. Mas atenção, nem todas as mamas pingam! Se não te aperceberes de perda de colostro, não é motivo para preocupação, desde que tenhas sentido que ficaram diferentes ao longo da gravidez em termos de tamanho e vascularização. Na dúvida, conversa com a tua consultora de lactação.

Um soutien com um bom suporte costuma ajudar a dar conforto. Mas se a mama ficar vermelha, quente, muito dolorosa ou se tiveres febre, procura avaliação em vez de assumir que é “só mais um sintoma”.

Vontade de urinar mais vezes

No final da gravidez, a vontade de urinar pode voltar em força porque o útero e o bebé ocupam o espaço onde antes havia mais folga para a bexiga. À noite, isto pode ser pouco divertido.

Não tentes resolver bebendo menos água. É essencial que mantenhas uma boa hidratação.

Os sinais de alarme são ardor ao urinar, dor, febre, urina com sangue ou mau cheiro, porque aí já pode haver infeção urinária e convém avaliar.

Inchaço abdominal, gases ou obstipação

A progesterona estar mais alta significa, entre outras coisas, ter o intestino mais lento. O resultado pode ser barriga inchada, gases, sensação de digestão parada e obstipação, mesmo quando estás a comer de forma parecida ao teu normal.

Reforçar a ingestão de água, de fibras e não abdicar de praticar atividade física costumam ajudar, mas às vezes também é preciso rever os suplementos de ferro ou outra medicação com o teu médico. Se estás há vários dias sem conseguir evacuar, com dor importante, vómitos ou barriga muito distendida, procura ajuda.

Oscilações de humor

Hormonas, cansaço, sono com interrupções, medo de que algo corra mal e uma quantidade absurda de opiniões alheias podem pôr o humor a fazer curvas e contracurvas. Chorar com facilidade ou ficar mais irritável não é estranho na gravidez.

Mas uma coisa é oscilar ligeiramente; outra é sentires que estás permanentemente em baixo, muito ansiosa, em pânico, sem prazer nas coisas ou sem conseguir funcionar. Se isso está a acontecer, leva esse tema para a consulta sem receios.

A saúde mental não deve ser descurada na gravidez.

Corrimento vaginal branco

É comum haver mais corrimento na gravidez. Se é branco ou leitoso, sem mau cheiro, sem ardor e sem prurido, costuma ser apenas uma consequência hormonal e não um sinal automático de infeção.

O que pede atenção é um corrimento amarelo, verde, acinzentado, com cheiro forte, com comichão, ardor, sangue ou perda de líquido mais aquosa e contínua.

Pele diferente: manchas, borbulhas ou escurecimento

A pele pode ficar mais oleosa, aparecer acne, escurecerem os mamilos, surgir um linha vertical na barriga ou manchas no rosto. É uma coleção pouco apreciada pelas grávidas, mas bastante comum.

O sol costuma piorar algumas destas mudanças, por isso a proteção solar tem utilidade real extra durante a graviez. Se aparecer comichão intensa, erupção cutânea marcada ou uma mudança súbita que te pareça fora do padrão, vale a pena mostrar em consulta.

Gengivas sensíveis ou a sangrar

Na gravidez, as gengivas podem reagir mais à placa bacteriana e sangrar com facilidade ao lavar os dentes ou usar fio dentário. É chato, mas é frequente e tem explicação hormonal.

O essencial é usares uma escova macia, ter uma higiene oral consistente e realizar uma consulta dentária sempre que necessário. Sangrar um pouco ao escovar não é raro; gengivas muito inchadas, dolorosas ou dificuldade em comer já merecem ser revistas.

Aproveita o cheque dentista a que tens direito!

Dor por estiramento dos ligamentos redondos

As dores nos lados da barriga, sobretudo quando te levantas depressa, tosses, espirras ou mudas de posição, costumam vir do estiramento dos ligamentos que apoiam o útero. Podem assustar porque aparecem em pontada e podem ser fortes. Mas não são sinal de nenhum problema na gravidez.

Mudar de posição mais devagar, fazer pausas e dar algum suporte à barriga pode ajudar. Realizar atividade física adequada à gravidez e procurar apoio de uma terapia manual como fisioterapia ou osteopatia, pode ajudar.

Mas se a dor é forte, persistente, localizada sempre no mesmo sítio ou vem associada a sangue, febre ou contrações, não coloques o rótulo de “ligamentos” e procura avaliação.

Dor lombar ou desconforto na bacia

À medida que a barriga cresce, a postura e o centro de gravidade mudam, os ligamentos ficam mais flexíveis e a lombar começa a pagar parte da conta. A bacia também pode queixar-se, sobretudo em dias mais longos ou com muito tempo de pé.

Alternar posições, evitar torções bruscas, sentar com apoio e mexer o corpo com regularidade costuma ajudar mais do que ficar completamente parada. Se a dor vem com febre, ardor urinário, sangue, contrações ou perda de força numa perna, precisa de outro tipo de atenção.

Movimentos do bebé

Nesta fase, os movimentos do bebé já devem fazer parte da tua perceção diária. Não tens de contar pontapés de forma obsessiva, mas faz sentido reconheceres o padrão habitual do teu bebé.

Se notares uma redução clara face ao padrão que já conheces, não penses “amanhã logo vejo”. Menos espaço não é uma explicação aceitável para menos movimentos. Este é um motivo válido para procurares observação médica urgente.

Azia ou refluxo

A azia e refluxo são convidados frequentes na gravidez. As hormonas relaxam a separação entre o estômago e o esófago e, mais tarde, o útero também ocupa espaço, aumenta a pressão intrabdominal e empurra o conteúdo gástrico para cima sem cerimónia.

O caminho é comer menos de cada vez, evitar deitar logo a seguir às refeições e perceber que alimentos te pioram a azia. Sabias que algumas pessoas ficam cheias de azia depois de comer sopa?

Se estás a comer cada vez pior, a vomitar ou sem conseguir controlar estes sintomas, fala com a tua equipa em vez de sofreres. Existe medicação segura na gravidez.

Hemorróidas

As hemorróidas podem aparecer porque há mais pressão na zona pélvica e, muitas vezes, também porque a obstipação obriga a fazer mais força para evacuar. O resultado pode ser prurido, dor, incómodo ao evacuar ou um pequeno sangramento vermelho vivo.

Resolver a obstipação ajuda quase sempre mais do que tentar tratar só a consequência. Se tens sangramento e não tens a certeza de que são hemorróidas, ou se a dor é forte e não cede, vale a pena confirmar com o teu médico.

Cãibras nas pernas

As cãibras nas pernas, sobretudo à noite, são uma daquelas chatices muito comuns e pouco agradáveis da gravidez. Podem aparecer de repente e acordar-te com a delicadeza de uma sirene.

Quando acontece, puxar os dedos do pé na tua direção costuma ajudar mais do que esticar a ponta do pé.

Se uma perna ficar muito inchada, vermelha, quente ou dolorosa de forma persistente, isso já não parece uma cãibra banal - procura ajuda porque pode ser uma trombose!

Sensação de calor ou tonturas

Sentires mais calor, quebra de energia ou algumas tonturas pode acontecer porque os vasos sanguíneos dilatam, a tensão arterial desce e o corpo está a trabalhar em modo gravidez mesmo quando tu só estás a tentar sair da cama.

Não te esqueças que tens que te levantar devagar, não passar horas sem comer, manter-te hidratada e sentar ou deitar de lado se sentires que vais desmaiar.

O mais importante é não desmaiares para não te magoares.

Desmaio, falta de ar súbita, dor no peito, palpitações persistentes ou tonturas que não passam devem ser avaliados de imediato.

Inchaço dos pés, tornozelos ou mãos

Um inchaço ligeiro ao fim do dia, sobretudo nos pés e tornozelos, é frequente na segunda metade da gravidez. O calor e muitas horas sentada ou de pé podem piorá-lo.

Descansar com as pernas elevadas e evitar dias inteiros sem mexer ajuda algumas grávidas. Elevar ligeiramente o fundo do colchão na cama ajuda a acordares menos inchada.

O que muda o cenário é um inchaço súbito, muito marcado, sobretudo nas mãos ou na cara, ou acompanhado de dor de cabeça e alterações da visão. Nesta situação, vai ao serviço de urgência para seres avaliada.

Sono interrompido ou dificuldade em encontrar posição

No terceiro trimestre, dormir pode virar um pequeno projeto de engenharia. A barriga pesa, a bexiga lembra-se de ti várias vezes a meio da noite, o bebé às vezes escolhe o silêncio da madrugada para ensaiar coreografias e a cabeça nem sempre colabora.

Não existe nenhuma posição proibida para dormir, mas algumas é provável que se tornem desconfortáveis à medida que a barriga cresce. Habitualmente as grávidas optam por dormir deitadas de lado, com almofadas entre as pernas, atrás das costas ou debaixo da barriga a apoiar o corpo.

Falta de ar ligeira

Uma falta de ar ligeira ao subir escadas, falar depressa ou deitar completamente na horizontal pode acontecer no terceiro trimestre. O útero sobe e pressiona o diafragma, o corpo precisa de mais oxigénio e a margem de conforto respiratório fica menor.

Isso não quer dizer que toda a falta de ar é para normalizar. Se estás ofegante em repouso, com dor no peito, febre, palpitações importantes ou uma sensação clara de que não consegues respirar bem, pede avaliação.

Pressão pélvica ou sensação de peso

Peso na bacia, sensação de que tudo está mais baixo ou dificuldade em andar depressa é um relato muito comum nesta fase. Pode vir do crescimento do bebé, da postura, do pavimento pélvico a trabalhar mais e, mais perto do fim, da descida do bebé.

Se esta pressão aparece acompanhada de contrações regulares, dor lombar ritmada, perda de líquido ou sangue, isso já não entra na gaveta do desconforto banal e deve ser avaliado.

Contrações de treino

As contrações de treino, ou Braxton Hicks, costumam ser irregulares: a barriga fica dura, depois passa, e não entram obrigatoriamente num padrão cada vez mais forte e mais próximo. Podem ser incómodas, mas não costumam desencadear o início do trabalho de parto.

Descansar, beber água e mudar de posição pode aliviar. Mas se as contrações começam a ganhar ritmo, ficam dolorosas ou se juntam a pressão pélvica, sangue ou líquido antes das 37 semanas, deves procurar avaliação.

Perguntas frequentes

Perguntas sobre 28 semanas de gravidez

28 semanas de gravidez são quantos meses?

De forma aproximada, 28 semanas de gravidez correspondem ao 7.º mês. A contagem em semanas continua a ser a referência mais útil.