Três anos depois do parto, 38,1% das mulheres acompanhadas num estudo português referiam perdas de urina. O resultado mostra que a incontinência urinária no pós-parto pode fazer parte da vida de algumas mães muito para lá das primeiras semanas de recuperação.
A investigação acompanhou 139 mulheres e foi publicada em junho de 2026 na revista World Journal of Urology. A equipa de Ana Sofia Carneiro reúne investigadores da Unidade Local de Saúde do Alto Ave, em Guimarães, e da Universidade do Minho.
O dado que chama a atenção é a diferença entre o primeiro mês e os anos seguintes: ao fim de um mês, 23,0% das participantes referiam perdas de urina. Aos três anos, a percentagem era de 38,1%.
A melhoria do primeiro mês não conta a história toda
Na primeira semana após o parto, as perdas de urina eram referidas por cerca de metade das participantes: 51,1%. A percentagem descia bastante ao primeiro mês, mas voltava a ser mais elevada nas avaliações seguintes.
| Tempo após o parto | Mulheres que referiam perdas de urina |
|---|---|
| Uma semana | 51,1% |
| Um mês | 23,0% |
| Um ano | 41,2% |
| Três anos | 38,1% |
Os dados foram recolhidos através de um questionário. Nem todas as mulheres tinham respostas nos dois momentos intermédios, pelo que a tabela não descreve o percurso completo de cada uma. Também não significa que todas as participantes com perdas aos três anos tenham passado esse tempo inteiro com sintomas.
Perdas de urina ao tossir ou rir
O tipo de incontinência mais frequente foi a chamada incontinência urinária de esforço: perdas que podem acontecer quando aumenta a pressão sobre a bexiga, por exemplo ao tossir ou rir. Apesar do nome, não se trata apenas de perder urina durante o exercício.
Entre as mulheres com sintomas persistentes, os investigadores observaram também uma tendência para maior gravidade nas avaliações mais tardias. Ou seja, nesse subgrupo, não era apenas uma questão de o sintoma continuar a existir: podia tornar-se mais intenso.
Que pistas deixa o estudo?
Os investigadores encontraram uma associação entre as perdas aos três anos, um índice de massa corporal mais elevado e uma gravidez com duração de pelo menos 39 semanas.
Isto não significa que esses fatores tenham causado o problema: são pistas encontradas neste grupo, não uma previsão do que vai acontecer a cada mulher.
Para os autores, identificar as perdas de urina logo no pós-parto pode ajudar a reconhecer mulheres com maior probabilidade de continuar a ter sintomas. Defendem também maior sensibilização para a saúde do pavimento pélvico. O trabalho não testou tratamentos, pelo que os investigadores ressalvam que é preciso estudar a eficácia das estratégias de prevenção propostas.
Os resultados não representam todas as mães portuguesas. Mas, neste grupo, as perdas de urina eram uma realidade para mais de um terço das participantes quando os filhos já tinham três anos.