Primeira consulta de gravidez: o que se faz, quando marcar e o que perguntar

10 de junho de 2026 Publicado

Equipa editorial Vamos Ser Pais

O teste deu positivo. E agora? Quando marcar a primeira consulta, como preparar-te, o que esperar, e as perguntas que deves fazer — inclusive se o pai deve ir.

O teste deu positivo. Estás grávida. Agora vem aquela pergunta: e depois? O que é que se faz primeiro?

A resposta curta: marcas uma consulta. A primeira consulta de gravidez — também chamada consulta pré-natal inicial — é o ponto de partida para todo o acompanhamento. É onde se confirma a gravidez, se calcula a data provável do parto, se pedem as primeiras análises, e onde tens espaço para fazer todas as perguntas que (provavelmente) já te estão a fervilhar na cabeça.

Este artigo é o que gostava de ter lido antes de entrar no consultório.

Quando marcar a primeira consulta de gravidez?

Assim que souberes. Não precisas de esperar por nada.

O ideal é marcar a consulta logo a seguir ao teste positivo. Na prática, a primeira consulta acontece geralmente entre as 6 e as 8 semanas de gestação (2 a 4 semanas após a falta da menstruação). É o timing certo para:

  • Conseguires ver o saco gestacional na ecografia
  • Detetares uma gravidez ectópica, se for o caso
  • Iniciares a suplementação atempadamente (ácido fólico e iodo)
  • Receberes o Boletim de Saúde da Grávida e ficares registada no sistema

Se já passaram mais de 8 semanas e ainda não marcaste, não entres em pânico — marca hoje. Mais vale tarde do que a perder o rastreio do primeiro trimestre (11-13 semanas).

Onde marcar?

Tens duas opções em Portugal:

Onde Vantagens Custo
Centro de saúde (SNS) Gratuito; seguimento pelo médico de família ou enfermeira; acesso a consultas hospitalares 0€
Privado (ginecologista/obstetra) Mais disponibilidade; normalmente o mesmo médico durante toda a gravidez 80€-150€ por consulta (parcialmente reembolsável por seguros)

No SNS, basta ires ao teu centro de saúde e pedir para ser inscrita na consulta de vigilância da gravidez. Se não tiveres médico de família atribuído, a equipa de enfermagem faz o encaminhamento.

O que levar à primeira consulta de gravidez

Vai preparada — poupa-te tempo e stresses. Leva:

  • Documento de identificação (Cartão de Cidadão ou equivalente)
  • Número de utente do SNS (se já tiveres)
  • Resultado do teste de gravidez (foto serve, mas leva o original se ainda o tiveres)
  • Data da última menstruação — aponta antes de ires, porque vão perguntar
  • Lista de medicamentos que tomas (incluindo suplementos e medicamentos sem receita)
  • Histórico médico resumido: doenças crónicas, cirurgias, alergias, problemas em gravidezes anteriores
  • Caderneta de vacinas (vão verificar se tens a vacina do tétano em dia)
  • Perguntas que queres fazer — aponta-as no telefone antes de ires, porque no momento vamos-nos esquecer
  • O pai ou acompanhante (se ele quiser ir — e devia)

O que se faz na primeira consulta de gravidez? (passo a passo)

A consulta dura entre 30 a 45 minutos e divide-se em várias partes. Aqui está o que vai acontecer:

1. Anamnese — a conversa inicial

O médico ou enfermeiro vai fazer-te perguntas. Coisas como:

  • História médica pessoal: tens alguma doença crónica (diabetes, tensão alta, problemas da tiróide)? Já fizeste alguma cirurgia?
  • História familiar: há casos de doenças genéticas, diabetes gestacional, hipertensão na família?
  • História ginecológica e obstétrica: já estiveste grávida antes? Tiveste algum parto, aborto ou gravidez ectópica? Ciclo menstrual era regular?
  • Medicação actual: o que tomas e desde quando
  • Hábitos de vida: fumas? Bebes álcool? Café? Fazes exercício? Como é a tua alimentação?
  • Sintomas actuais: enjoos, cansaço, dores, sangramentos?

Não inventes nada. Responde com honestidade — o médico não está lá para julgar, está lá para te ajudar. Uma resposta escondida sobre tabaco ou medicação pode fazer diferença no acompanhamento.

2. Exame físico

O médico vai:

  • Medir o teu peso e altura (para calcular o IMC de base)
  • Medir a tensão arterial (valor de referência para o resto da gravidez)
  • Fazer uma ecografia obstétrica (se for cedo — 6-7 semanas — pode ser vaginal; se já estiveres nas 8+ semanas, é abdominal). A ecografia serve para: confirmar a viabilidade (batimento cardíaco), localizar o saco gestacional (descartar gravidez ectópica), ver se é um ou mais bebés, e estimar a idade gestacional (data provável do parto)

Sim, a ecografia transvaginal pode ser desconfortável, mas dura segundos e é a única forma de ver o embrião nas primeiras semanas.

3. Pedido de análises

Vais sair do consultório com uma lista de análises ao sangue e urina. As análises da primeira consulta incluem normalmente:

  • Hemograma completo (avalia anemia e saúde geral)
  • Grupo sanguíneo e factor Rh (para prevenir incompatibilidade Rh)
  • Glicemia em jejum (rastreio de diabetes)
  • Serologias: rubeola, toxoplasmose, sífilis, VIH, hepatite B e C
  • Sumária de urina + urocultura (rastreio de infecções urinárias — muito comuns na gravidez)

4. Prescrição de suplementos

É aqui que o médico te prescreve ácido fólico (continuar o que já deves ter começado) e iodo. São os dois suplementos recomendados desde o início da gravidez — o ácido fólico previne defeitos do tubo neural, o iodo é essencial para o desenvolvimento cerebral do bebé.

5. Entrega do Boletim de Saúde da Grávida

No SNS, recebes o Boletim de Saúde da Grávida (BSG). É o teu passaporte de saúde durante os próximos meses — leva-o a todas as consultas e ao parto. Serve também como justificativo para o empregador.

O pai deve ir à primeira consulta de gravidez?

Sim. Não é obrigatório, mas faz toda a diferença.

O pai (ou o acompanhante) não é um mero espectador. A primeira consulta é o momento em que o médico passa informação prática importante — e ter duas pessoas a ouvir reduz a probabilidade de esqueceres metade do que foi dito.

E mais: o pai também pode fazer perguntas que não te tenham ocorrido. Ele pode estar tão nervoso quanto tu, e estar na consulta ajuda a sentir-se parte do processo desde o início.

Alguns hospitais e centros de saúde têm inclusive programas de preparação para o pai — mas ninguém te vai informar disso se ele não estiver presente.

Se ele não puder ir? Não há problema. Grava a consulta (com autorização do médico) ou pede para alguém ir contigo. O importante é não ires sozinha se não quiseres.

O que perguntar na primeira consulta de gravidez

É normal sair do consultório a pensar "esqueci-me de perguntar X". Leva esta lista. Pergunta o que fizer sentido para ti:

  • Que sintomas são normais e quais são sinais de alarme? — o médico deve explicar-te quando é para ligar ou ir ao hospital
  • Posso continuar a fazer exercício? Que actividades estão liberadas?
  • Que medicamentos posso tomar para as dores de cabeça ou febre? (spoiler: paracetamol é seguro; ibuprofeno não é recomendado)
  • Quando é a próxima consulta e o que vai acontecer nela?
  • Que exames vou fazer ao longo da gravidez e quando?
  • Preciso de alguma preparação especial para as análises (jejum, etc.)?
  • Posso viajar? Até quando? Precisa de algum documento?
  • Onde vai ser o parto? Como escolho? Quando devo decidir?
  • A gravidez é de risco normal ou tenho algum factor que mereça mais atenção?
  • Há grupos de apoio, cursos de preparação para o parto, ou consultas de enfermagem que possa aproveitar?

Pergunta sem vergonha. O médico já ouviu tudo. Não há perguntas parvas numa primeira consulta — só aquelas que não se fazem.

E depois da consulta?

Saíste da consulta com o Boletim de Saúde da Grávida e uma folha de análises para fazer. Os próximos passos são:

  1. Marcar as análises — podem ser feitas no centro de saúde ou num laboratório convencionado
  2. Ir à farmácia — comprar o ácido fólico e iodo se não foram aviados na consulta
  3. Marcar a próxima consulta — geralmente para as 12 semanas, que coincide com a ecografia do primeiro trimestre (translucência nucal + rastreio bioquímico)
  4. Entrega o boletim no trabalho — se precisares de justificar faltas para consultas ou baixa por risco clínico

A primeira consulta é o início de um percurso que vai durar cerca de 9 meses. Não precisas de saber tudo hoje. O teu médico, o boletim e as consultas seguintes tratam de te guiar.

Respira. Já deste o passo mais difícil — o primeiro.

Fontes